segunda-feira, 12 de março de 2007

Para rememorar a Ilha




















Um pequeno fragmento de Armadura, espada, cavalo e fé, de Cleber Teixeira, requintado poeta e admirável tipógrafo-editor da Noa Noa na linda ilha de Florianópolis, para aplacar um pouco a saudade do amigo e dos dias que lá passei, convivendo, ensinando e aprendendo na sua Oficina sobre a arte de fazer livros.
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Agora, convém dar a
estes mortos tão vivos
o merecido sossego.

E mais direito ao sossego
tem o morto que decidiu
partir por conta própria.
E não cometerei a tolice
de dizer que os poetas
têm pressa de partir
porque carregam
nas costas as dores do mundo.

Muito pelo contrário,
as dores do mundo
é peso demais
mesmo para o melhor dos poetas.
Não foram poucas
as vezes que estive
perto de considerar a poesia
refúgio de fracos,
de homens inúteis
(que são lidos por
outros inúteis).
De homens que por
não saberem onde
fica a porta de entrada
e menos ainda a de saída
fazem do não saber
seu ofício e arte
de dolorosa feitura.
Continuo bem perto
de achar tudo isso,
mas não se pode
dizer que não dói
este eterno fazer e desfazer,
construir e desconstruir
que se impõem os poetas
quando perseguem
“a palavra essencial”,
a forma intocável
com o ostinato rigore.
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2 comentários:

Felipe disse...

Cléber é uma figura emocionante. Tive o grande prazer de conhecê-lo através da sua intermediação. Foi uma tarde inesquecível em sua tipografia... Um grande abraço!

Aníbal Bragança disse...

Caro Felipe,
tenho muita satisfação de ter sido mediador desse encontro, certamente rico para ambos, tanto para o experiente mestre quanto para o discípulo inteligente.
E espero ver ao menos na rede seu belo trabalho sobre as livrarias de Floripa.
Um forte abraço,
Aníbal