sábado, 14 de abril de 2007

Eclesiastes, um livro de sabedoria

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Que proveito tem o homem de toda a fadiga a que se sujeita debaixo do sol?
Uma geração passa, outra geração entra, mas a terra permanece para sempre. O sol se levanta, o sol descamba, anelando pelo lugar donde novamente se levantará. O vento sopra para o sul, volta-se para o norte, num contínuo vaivém sopra o vento. Todos os rios desembocam no mar, sem que o mar transborde. Para onde os rios correm, para lá correm sem cessar.
Tudo é tedioso. Ninguém pode dizer. O olho não se sacia de ver, o ouvido não se enche de tanto ouvir.
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Qohelet, além de ser sábio, instruiu o povo na ciência, meditou, perscrutou e fez muitas composições a respeito de sentenças. Esforçou-se, Qohelet, por encontrar palavras agradáveis, e por registrar corretamente pensamentos de verdade. As palavras do sábio são como aguilhões e pregos fixados: sentenças colhidas, compostas por um único pastor.

No mais, meu filho, fica prevenido, escrevem-se livros sem fim
e o estudo contínuo cansa o corpo.

Fim do discurso: teme a Deus e guarda seus preceitos, porque este é o dever de todo homem.
Deus julgará todos os atos, mesmo os ocultos, os bons e os maus.

Dos comentários, no livro: Qohelet: o Pregador, no meio da assembléia, ou, conforme o grego, no meio da ekklesia, daí o nome de Eclesiastes (p. 272).

Trad. de Pe. Frederico Dattler S.V.D., in A Bíblia, v. 4 – Os livros sapienciais. S. Paulo: Abril, 1966, p. 272; 287.

Imagem (p. 273): Anônimo, séc. XII. Miniatura, Escola Renana, "Evangeliário", Biblioteca Regional, Karlsruhe, Alemanha.

Trecho retirado do livro Eclesiastes. Além de toda a sabedoria nele contida, que nos ensina a cada releitura, o objetivo de traze-lo aqui, para iniciar uma conversa com você, rara ou raro leitor, é específica: a referência que faz ao "fazer livros".

E, como é possível ocorrer em qualquer tradução, são muitas as versões para a frase e mais ainda ao sentido que a ela se dá. Aqui se diz: "escrevem-se livros sem fim"; já na tradução atribuída a João Ferreira de Almeida, publicada, revista, pela Sociedade Bíblica do Brasil, talvez a mais conhecida, a frase é esta: "não há limite para fazer livros", o que já permite uma outra leitura; a tradução do Centro Bíblico Católico, revista por Frei João José Pedreira de Castro, publicada pela Editora "Avé Maria", indica: "...se podem multiplicar os livros a não mais acabar"; a tradução do Pe. Matos Soares, publicada pela Paulinas, diz: "não se põe termo em multiplicar livros".

Mas a "tradução" que mais freqüentemente se vê usada por editores você certamente conhece, mas eu não consegui ainda saber de quem é: "fazer livros é um trabalho sem fim".

Esta poderia ser usada também por autores. Faz sentido!

Será que sempre estaremos construindo o "nosso" sentido em qualquer leitura ou mesmo em qualquer tradução, que é, afinal, também uma leitura?

De qual sentido mais gosta você, cara leitora? A advertência de que se fazem livros demais e que muito estudo (apenas) cansa o corpo, pois as palavras do mestre são como "aguilhões e pregos fixados", que não se devem mexer nem nada acrescentar? Pois o que conta, afinal, são os atos do homem ou da mulher?

Ou a que indica ser a tarefa de escrever, traduzir, revisar ou de editar livros um trabalho (difícil) de ter fim?

Faça seu comentário.

Um comentário:

Cynthia disse...

Caro Aníbal, seria possível concordar e gostar parcialmente de cada opção? O melhor e tudo foi rever este livro tão interessante e cheio e possibilidades de novas aprendizagens e leituras!
Obrigada por reabrir essa porta de leitura paa mim.
Abraço e boa semana!