sexta-feira, 25 de maio de 2007

Geir Campos, poeta, contista, tradutor e editor



Cidades

Leio livros
sobre a cidade
antiga
e penso
nas cidades do meu tempo:
todas iguais
ou muito parecidas
com seus mercados
e suas lojas
vendendo as mesmas
mercadorias...
será isso
o que se denomina
“liberalismo”
ou será, antes,
o “socialismo”?
Igualdade!
Liberdade!
Fraternidade?
Pois sim!

Haikai
Olha os olhos do afogado!
Deve haver coisas terríveis
no fundo do mar.

Alba
Não faz mal que amanheça devagar,
as flores não têm pressa nem os frutos:
sabem que a vagareza dos minutos
adoça mais o outono por chegar.
Portanto não faz mal que devagar
o dia vença a noite em seus redutos
de leste – o que nos cabe é ter enxutos
os olhos e a intenção de madrugar.

Geir Campos não foi apenas um artesão da palavra e um operário do canto. Além de autor de uma obra literária que certamente permanecerá, esteve presente em todas as frentes de ação pelo fortalecimento do livro como um veículo privilegiado para tocar a sensibilidade do ser humano e para alcançar a transformação da sociedade brasileira.

Os poemas de Geir Campos e o trecho acima (do depoimento “Geir Campos e o mundo do livro”), deste blogueiro, são partes do livro A profissão do poeta & Carta aos livreiros do Brasil, organizado por Maria Lizete dos Santos e Aníbal Bragança, editado 2002, graças ao programa de Adroaldo Peixoto Garani, enquanto presidente da Imprensa Oficial do Estado do Rio de Janeiro, de publicar obras de interesse para a cultura fluminense.

Os livreiros, tradutores, editores e autores certamente terão grande proveito com a leitura deste pequeno volume, assim como todos os que apreciam boa literatura nacional. Procure-o, rara ou raro leitor, no seu livreiro ou na biblioteca mais próxima e deleite-se.

3 comentários:

Simone Amorim disse...

Belíssimos fragmentos! Toda vez que visito o site penso "tenho que lembrar de visitar mais vezes"... abraços,

Cynthia disse...

Cuidar da intenção de madrugar pode ser um projeto de vida às vezes. Lindo!

biga disse...

De vez em ssempre, retorno a GEIR. Há fragmentos de versos insequecíveis - "eu sei porque as vezes chove, no fundo azul dos olhos de Tereza"