Livros Usados
Inês Lourenço, In "a disfunção lírica"
.
Tudo que se disse depois e
ainda se diz, pode estar num usado
exemplar de Crime e Castigo ou da Utopia.
Os livros usados - mesmo
que se chamem Utopia -
têm aquela terna docilidade
das páginas em que outras
mãos passaram, ao contrário
dos novos, que em rígidas e
intactas páginas são só apenas
papel impresso.
.
E para escassos amigos, quando
se fugiu duma livraria de
consumíveis tops,
talvez seja essa
a melhor oferta.
.
Sem título
Victor Oliveira Mateus
Quantas vezes me deixei ficar,
como hoje, de caneta em riste,
sentado a esta mesma mesa
esperando que tu ou o texto viessem...
.
Quantas vezes, em vão, lançava
o olhar sobre o porto, tentando
adivinhar-te no bojo
de um qualquer barco que divisava
.
ao longe, como quem investiga
de falhas a mais nítida presença.
E quantas, no meio do tilintar
das chávenas e do bulício do balcão,
.
as tuas palavras acabavam sempre
por me aquietar. No entanto, sei-me
de sina igual a hoje: o constante medo
de que um dia possas não vir
.
e que o futuro mais não seja
do que a inquirição dos dias,
onde os versos se firmam
como escolhos à deriva
em simples guardanapos de papel.
.
Victor Oliveira Mateus
In A Dispersa Palavra
http://adispersapalavra.blogspot.com/
O Atlântico já nos une há quinhentos anos. Agora a Internet une todos que possam e se queiram conectar, para além das fronteiras das terras e dos mares. Restam-nos, felizmente, as fronteiras da língua, que se quer um mar comum, às vezes mais revolto, outras não.
O poeta e professor Victor Oliveira Mateus captou indiretamente mensagem nossa, não dessas que colocamos nas pipas que vão ao éter, como antes iam nas garrafas em busca dos náufragos ou dos salvadores. Apenas uma breve mensagem “funcional”.
Fez um comentário em nosso blog. Iniciou-se um diálogo. Visitei o seu blog e que bela surpresa! Dessas que nos fazem continuar a acreditar na arte e nos seres humanos. Encontramos lá estes poemas que quisemos apresentar ao nosso raro leitor como isca para que visite o blog A Dispersa Palavra. Vá lá e depois me conte.
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sexta-feira, 11 de julho de 2008
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