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quarta-feira, 13 de junho de 2007

“Sem livros não há instrução”, Frei Veloso




Hoje: 196 anos da morte de Frei José Mariano da Conceição Veloso
(14-10-1741/13-6-1811)
O título acima foi o lema com que Frei Veloso desenvolveu seu trabalho de editor, em Lisboa, inclusive como responsável pela Casa Literária do Arco do Cego, de 1799 a 1801, sob a proteção de D. Rodrigo de Sousa Coutinho, Ministro da Marinha e do Ultramar, da rainha D. Maria I (mãe do futuro D. João VI). E foi também o título da exposição organizada pela Biblioteca Nacional, de Portugal, comemorativa do bi-centenário do Arco do Cego, para o qual se organizou um cuidado livro-catálogo com excelentes estudos sobre Frei Veloso e, especialmente, sobre seu trabalho à frente do Arco do Cego, assinados por Diogo Ramada Curto, Maria de Fátima Nunes e João Carlos Brigola, Margarida Ortigão Ramos Paes Leme, Manuela D. Domingos, Miguel F. Faria e Ana Paula Tudela, com o título A Casa Literária do Arco do Cego, editado pela Biblioteca Nacional e a Imprensa Nacional-Casa da Moeda, em 1999.

Miguel Faria, no estudo que dedica à importância das imagens nas edições do Arco do Cego, destaca (p. 120) que “a preocupação de fazer chegar ao maior número possível de leitores uma informação acessível e prática é visível nos comentários de Veloso”, quando cita a crítica deste ao “ócio literário” de autores cujas obras “jamais servirão para o conhecimento dos camponezes, como desconhecedores da linguagem em que são escriptas e apenas para algum rico proprietário”, o que fez com que se tenha dedicado tanto à tradução de obras “para que nada falte a estes homens úteis, que habitão os campos, e sustentão as Cidades”.

A bela edição Flora Fluminensis – Estudos preliminares, publicada, também em 1999, pelo Centro de Memória e Documentação da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável do Governo do Estado do Rio de Janeiro, com apoio da FINEP e da Fundação Vitae, conta com estudos de Frei Thomaz Burgmeier, Haroldo C. de Lima e Darcy Damasceno, além das apresentações institucionais de André Corrêa, secretário de Estado, e Eduardo Portella, presidente da Fundação Biblioteca Nacional, mas nela se destacam as reproduções das imagens da Flora Fluminensis - a obra maior do naturalista Frei Veloso - arrematadas em leilão da biblioteca dos Marqueses de Castelo Melhor, em 1879, e que foram incorporadas ao fundo precioso da Biblioteca Nacional, do Brasil.

No estudo “Frei José Mariano da Conceição Vellozo, naturalista e editor” o crítico Darcy Damasceno afirma (p. 25) que “há na atividade editorial de Frei Vellozo certa manifestação de incipiente sentimento nativista, que se percebe não só na titulação do enciclopédico O Fazendeiro do Brazil, mas, também, nas dedicatórias, introduções ou advertências dos vários volumes.”

Entendemos ser a Casa Literária Arco do Cego, vamos repetir, a primeira editora brasileira, em que pese estar sediada em Lisboa, e sobre isso certamente voltaremos a escrever, rara ou raro leitor que nos tem honrado com suas visitas e leituras.