sábado, 8 de dezembro de 2007

Intelectual do Ano – Relato aos ausentes e presentes


Fotografias de Ricardo Hallais Walsh gentilmente cedidas.
Conforme previsto, aconteceu no Teatro da UFF, a solenidade de entrega do título de Intelectual do Ano, 2007/2008, a este neoblogueiro, no último dia 1º, sábado. Com os amigos sendo recebidos pelo homenageado na entrada, foi com algum atraso que se deu o início dos trabalhos, marcado para as 10h.

O presidente Carlos Mônaco formou a mesa diretora com representantes de entidades da vida cultural niteroiense (leia o pos-scriptum).

Na platéia, que enchia o teatro, representantes da vida literária, universitária e artística da cidade, além de amigos, familiares e colegas.

Após o hino nacional, foi chamado ao palco o concertista e professor da UFF, Francisco Frias. Seu recital encantou e emocionou a todos, que o aplaudiram demoradamente.

A seguir, falou Carlos Mônaco, fazendo um histórico da homenagem Intelectual do Ano que o Grupo Mônaco de Cultura criou em 1987, relembrando as personalidades que a receberam até a edição anterior, a vigésima.

Seguiu-se a fala concisa do presidente do Grupo, jornalista e escritor Luís Antônio Pimentel.

Representando a Universidade expressou-se o Vice-Reitor, prof. Emmanuel Paiva de Andrade, manifestando regozijo pela homenagem e pela sua realização no espaço da UFF, dando as boas-vindas a todos.

Chamado a fazer a apresentação do homenageado, Roberto Santos Almeida, discursou generosa e brilhantemente sobre a trajetória deste neoblogueiro, desde sua chegada ao Brasil e à cidade de Niterói, em 1956, destacando aspectos de sua formação e atuação profissional.

A seguir foi feita a entrega ao homenageado da placa de prata, alusiva à distinção, por Carlos Mônaco, Luís Antônio Pimentel e Roberto Santos Almeida.

Assim, chegou a vez deste neoblogueiro apresentar seu discurso de agradecimentos àqueles que, desde que aportou no Brasil, o acolheram e ajudaram, incentivando o desenvolvimento de uma trajetória onde as dificuldades temperaram a determinação em busca dos objetivos superiores em que empenhou o melhor de seus esforços.
Leia a íntegra do discurso "Ser ou não intelectual", clicando aqui:

A seguir, deu-se o encerramento da solenidade e o início de uma grande confraternização entre os presentes, que se estendeu, para alguns, ao almoço no restaurante A Mineira, em S. Francisco.

Iglair Paes Lannes escreveu: “Escolha impecável do homenageado, bela cerimônia, belo recital do Francisco Frias, muitos amigos presentes”.

Veja os álbuns de fotografias disponíveis em:
http://picasaweb.google.com.br/anibalbraganca/AnBalBraganAIntelectualDoAnoFotosDocumentosMDia
e
http://picasaweb.google.com.br/anibalbraganca/AnBalBraganAIntelectualDoAnoFotosDeRicardoHallaisWalsh
Na ocasião, o vereador Fernando de Oliveira Rodrigues entregou ao homenageado Moção de Congratulações aprovada em sessão plenária de 27/11/2007 da Câmara Municipal de Niterói. O texto da moção, em documento assinado pelo proponente e pelo presidente do legislativo,
vereador José Vicente Filho, afirma em seu último parágrafo:

“O agraciado, por sua história memorável e trajetória de sucesso, com um currículo ímpar e uma vida repleta de realizações, conquistas e vitórias, e por ser um profissional reconhecido e pessoa digna, de mais lídima e honrosa conduta, reputação ilibada, homem e cidadão sério e íntegro, que sempre conduziu suas relações pessoais e profissionais com sinceridade, transparência e honestidade, legitima-se, definitivamente, a ser merecedor de mais esta justa e singela homenagem ora prestada.”

Leia a íntegra do documento em:
http://picasaweb.google.com.br/anibalbraganca/AnBalBraganAIntelectualDoAnoFotosDocumentosMDia/photo#5141316097440225522
Os ritos marcam de forma indelével a vida das pessoas. Obrigado a todos que contribuíram, direta ou indiretamente, para que fosse tão feliz esse momento, aos que estiveram presentes e todos os que, ausentes fisicamente, se manifestaram de diferentes formas, como telefonemas, telegramas, cartas e cumprimentos. Este, rara e raro leitor, será um dos mais ricos em significados na memória deste neoblogueiro.
PS: A mesa diretora dos trabalhos, composta pelo seu presidente, Carlos Mônaco, foi integrada por Jorge Loretti, desembargador e ex-professor da UFF, presidente da Academia Niteroiense de Letras; Edmo Rodrigues Lutterbach, promotor e procurador de Justiça, presidente da Academia Fluminense de Letras, Luís Antônio Pimentel, presidente do Grupo Mônaco de Cultura, Márcia Pessanha, presidente do Cenáculo Fluminense de História e Letras, professora e diretora da Faculdade de Educação da UFF, José Alfredo de Carvalho, presidente da Academia Brasileira de Literatura, Mila Barbosa, presidente da Associação Niteroiense de Escritores, Salvador Mata da Silva, presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Niterói, Tomaz Lima, presidente do Centro da Comunidade Luso-Brasileira do Estado do Rio de Janeiro, Orlando Cerveira, presidente do Clube Português de Niterói, e Neide Barros Rego, diretora do Centro Cultural Maria Sabina. Integraram também a mesa: Emmanuel Paiva de Andrade, professor e vice-reitor da UFF, Humberto Machado, professor e pró-reitor de Pesquisa e Pós-graduação da UFF, Maria Felisberta Trindade, professora da UFF e presidente do Conselho Municipal de Ciência e Tecnologia da Prefeitura de Niterói, além de Roberto Santos Almeida, escritor e professor da UFF, que iria fazer a apresentação do homenageado, e este.

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Aníbal Bragança, Intelectual do Ano



Este neoblogueiro, sim, rara leitora, foi escolhido pelo Grupo Mônaco de Cultura como Intelectual do Ano, uma honraria que eleva e distingue o nome de quem a recebe no cenário da vida literária niteroiense e mesmo na da Velha Província.

O Grupo Mônaco de Cultura foi fundado, com a denominação de Grupo de Amigos do Livro, em 16 de junho de 1957. A honraria “Intelectual do Ano” foi criada em 1987, quando o homenageado foi o jornalista Alberto Francisco Torres, então diretor-presidente de O Fluminense, tradicional jornal do Estado do Rio de Janeiro. Esta é, portanto, a sua 21a. edição.

A Livraria Ideal, à qual o Grupo Mônaco de Cultura está vinculado, é dirigida pelo mestre Carlos Silvestre Mônaco. Foi criada pelo seu pai, Silvestre Mônaco, e Emílio Petraglia. Comemorou em 2007 o seu 72º aniversário de fundação. Situa-se no Calçadão da Cultura, Rua Visconde de Itaboraí, 222, em Niterói (RJ). Tel. (21) 2620-7361.

A honraria tem como precursora e, talvez inspiradora, a conferida, desde 1963, pela União Brasileira de Escritores (UBE), com o mesmo título “Intelectual do Ano”, e que tem desde o início o patrocínio do jornal Folha de São Paulo, na qual cabe ao escolhido o Troféu Juca Pato.

Ao contrário da honraria concedida pela UBE, onde o prêmio é definido após escolha feita por voto de um colégio eleitoral amplo, esta é definida por consenso entre os integrantes do informal Grupo Mônaco de Cultura, presidido pelo jornalista e escritor Luís Antônio Pimentel. Na escolha feita pela UBE há também uma vinculação a uma obra publicada no ano anterior.

Esta modalidade, assim como a da escolha do patrono da Feira do Livro de Porto Alegre, onde um colégio restrito escolhe dez nomes de escritores gaúchos que, após, são submetidos a uma consulta ampliada, ou mesmo a antiga – já extinta? – honraria anual Homem de Idéias criada pelo Jornal do Brasil, na qual o escolhido era fruto da votação dos já laureados, poderia ser lembrada para as futuras escolhas do Intelectual do Ano pelo Grupo Mônaco de Cultura. Fica a sugestão.

Supondo que, neste caso, o mérito da escolha cabe mais ao patrimônio de amizades construído durante décadas do que aos trabalhos desenvolvidos em favor da cultura niteroiense e do livro no Brasil, estaremos recebendo os amigos, colegas e familiares, e também a placa Intelectual do Ano 2007-2008, no Teatro da UFF (Centro de Artes da Universidade Federal Fluminense), à Rua Miguel de Frias, 9, em Icaraí, Niterói (RJ), no próximo dia 1º de dezembro de 2007, sábado, às 10h.

Certamente o melhor do evento poderá ser o recital de violão, mesmo breve, do magistral músico Francisco Frias. Caberá a apresentação deste neoblogueiro ao consagrado professor e escritor Roberto Santos Almeida, crítico literário de O Fluminense. Uma honraria e tanto! Obrigado.

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Nikos Kazantzakis (1885-1957): homenagem no Pen Club do Brasil





O presidente do PEN Clube do Brasil, o poeta e professor Cláudio Murilo Leal, convida para a homenagem que lembrará os 50 anos da morte do escritor Nikos Kazantzakis, autor de Zorba, o Grego, Ascese, Odisséia, A liberdade ou a morte, O Cristo recrucificado, Testamento para El Greco, O Pobre de Deus, A última tentação, entre tantas outras obras-primas universalmente conhecidas, inclusive pelas versões feitas para o cinema.
Alexei Bueno, poeta, ensaísta e pesquisador dos mais brilhantes estará encarregado de apresentar a sua original visão do autor grego em palestra a ser proferida no dia 26 de outubro, sexta-feira, às 18h, na sede do PEN Club, Praia do Flamengo, 172, 11º andar, Rio de Janeiro.
Lamentamos profundamente não poder estar presentes, em virtude de compromisso em Porto Alegre, nas atividades da Feira do Livro que se inaugurará nesse dia, pois Nikos Kazantzakis é um dos autores que mais enriqueceram nossas pobres leituras, através da vida, especialmente com o seu clássico Zorba, o Grego. Base de um também inesquecível filme, com Anthony Quinn, no papel título.

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Canção dissonante, Renato Augusto Farias de Carvalho



Tenho guardadas as escassas
horas
e as visões solenes
de Coimbra, do Porto,
os desenhos peninsulares
e sopros do Tejo
nas veias ibéricas do norte.

Trago o fado
no ardente peito
faço-me inteiro
ternura
sina e
saudade.

Estou cercado de ti, Lisboa dos
meus presságios. Ergo daqui meu
vinho verde
- para ver-te -
bem ao pé da Baixa
e seguir a Belém; depois
Faro, Óbidos e Santarém.

Oculto-me em trapos e versos
para abraçar-te, incólume Portugal do sol
vespertino. E deito-me, no leito de alvas
pedras, no mar da Ericeira.

In Vinho e verso. Manaus: Editora Valer http://www.valer.com.br/ . 2005, p. 29. Ilustração da capa: Miguel Coelho

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Entre louças, pianos, livros e impressos: Casa do Livro Azul

O Centro de Memória da Unicamp e a Editora Arte Escrita convidam para o lançamento do livro de Maria Lygia Cardoso Kopke Santos, Entre louças, pianos, livros e impressos: Casa do Livro Azul.
Dia e horário: 17/10/2007, quarta-feira, a partir das 17:30h
Local: Salão Nobre da Faculdade de Educação da Unicamp, Rua Bertrand Russel, 801 – Campus – Barão Geraldo – Campinas – SP
Tel. (19) 3521-5250 – Centro de Memória da Unicamp (CMU)


A convite da autora, escrevemos sobre esse livro um pequeno texto para a 4a. capa:

Sobre Entre louças, pianos, livros e impressos: Casa do Livro Azul
Aníbal Bragança


Maria Lygia Cardoso Köpke Santos, com maestria e rara sensibilidade, descortina ao leitor, ao construir a história da Casa Livro Azul, as grandes transformações socioeconômicas e culturais da cidade de Campinas, das últimas décadas do século XIX a começos do XX.

Tendo como principal inspiração o olhar iluminado de Michel de Certeau, a autora nos mostra, com brilho e originalidade – em boa parte sua pesquisa foi feita a partir da análise dos anúncios publicados em jornais –, como então se formaram na cidade as modernas práticas de uma sociedade escriturística, expressas nas novas demandas por papéis, livros e outros produtos tipográficos.

A obra insere-se, de forma marcante, no conjunto de estudos pontuais e regionais que vêm ajudando a construir a história da cultura letrada em nosso país, em boa hora, quando se aproxima o bicentenário da hipertardia instalação definitiva no país da “famosa arte da imprimissão” ao ser criada pelo príncipe D. João, em 1808, a Impressão Régia do Rio de Janeiro.

Leia um excerto do mesmo livro, clicando abaixo (postagem deste blog feita em 5 de março de 2007):
Da leitura do fim de semana, a dissertação de Maria Lygia Cardoso Köpke Santos, em um rico depoimento

sábado, 13 de outubro de 2007

40 anos de fundação da Livraria Diálogo, em Niterói


(Imagens do arquivo pessoal.)
Em outubro de 1967, no bairro do Ingá, em Niterói, a Livraria Encontro transformava-se na Livraria Diálogo, tendo como sócios principais Aníbal Bragança, Renato Berba e Carlos Alberto Jorge (em primeiro plano, na foto acima - do 1º aniversário -, da direita para a esquerda. Ao fundo três dos principais colaboradores na época: Zezinho, irmão de Aníbal, Wander de Assis e Luís).
A Livraria Diálogo, hoje de propriedade de Antônio Gomes Eduardo, também dono da Livraria Gutenberg, tem um lugar marcado na história da cultura da cidade de Niterói. E poderá mesmo transformar-se em objeto de pesquisa de algum historiador interessado em conhecer as transformações da vida literária e da cultura da antiga capital fluminense nas quatro últimas décadas do século XX.
Aos que participaram da construção dessa história ou que a desejam conhecer um pouco,
sugerimos que acessem o texto:
AB - "Ave Cesar! Viva Cesar! Apresentação de Um sol maior que o sol, de Cesar de Araujo"
nos Arquivos do e-grupo Cultura Letrada, clicando em: http://groups.google.com/group/cultura-letrada .
E ainda a entrevista concedida por Aníbal Bragança ao historiador Fábio Ferreira, publicada na revista de História, Tema Livre, acessível na Internet, em:
Para ver o Álbum de Fotografias de vários momentos da trajetória profissional do ex-livreiro e atual professor e pesquisador Aníbal Bragança, incluindo fotos do começo das atividades da Livraria Diálogo, clique abaixo:

Se a rara ou raro leitor deste espaço tiver algum registro a fazer, algum dado a acrescentar, um documento qualquer que possa ser útil à construção da história das livrarias Encontro, Diálogo, LUFE, Pasárgada e Sebo Fino, pedimos que o informem fazendo um "comentário" abaixo que nos permita chegar até ele. Obrigado.

Livrarias como espaços de sociabilidades intelectuais, Aníbal Bragança

No Brasil, onde a tipografia chegou tardiamente e com muitos controles na circulação dos impressos, só no século XIX foi possível criar-se um ambiente favorável às discussões públicas. Após a Independência foram-se ampliando as possibilidades de desenvolvimento da indústria editorial e da imprensa expressar o pensamento múltiplo, e muitas vezes conflitante, da sociedade civil. Surgia, num país de poucos leitores, uma brecha para o fortalecimento da cultura letrada.

Segundo Ubiratan Machado, foram as primeiras gerações do romantismo que iniciaram “a tradição dos escritores se reunirem em livrarias”, que se transformaram, segundo ele, “quase em clubes de bate-papo literário”. Uma das primeiras a se destacar como local de encontro de escritores foi a Tipografia Dois de Dezembro, de Paula Brito, na antiga Praça da Constituição (hoje Tiradentes) em meados do século, onde se destacavam os nomes de Joaquim Manuel de Macedo, Teixeira e Souza, Laurindo Rabelo, Araújo Porto-Alegre, Manuel Antônio de Almeida, Gonçalves de Magalhães, Gonçalves Dias e os então jovens Salvador de Mendonça, Casimiro de Abreu e Machado de Assis, que chegou a colaborar com Paula Brito em suas publicações. Lá se criou uma espécie de sociedade chamada Petalógica, cujos objetivos explícitos eram “tagarelar e fazer chiste”, mas que funcionava também como um de clube de auxílio mútuo.

A Garnier, quando inaugurou a loja na Rua do Ouvidor, em 1899, segundo Brito Broca, oferecendo a todos os convidados um volume de Machado de Assis, com a assinatura do autor, tornou-se o espaço privilegiado para os encontros da intelectualidade fluminense, já então tendo em Machado uma figura proeminente, ao lado de José Veríssimo, Silvio Romero, Joaquim Nabuco, Olavo Bilac, Alberto de Oliveira e Mário de Alencar. O livreiro francês chegou a colocar poltronas na livraria para receber os escritores, jornalistas e artistas que a freqüentavam.

Outras livrarias que se destacaram nessa área, no Rio de Janeiro, foram a José Olympio, especialmente em sua sede da Rua do Ouvidor, 110, inaugurada em 1934, em frente ao prédio da Garnier. Lá despontavam José Lins do Rego, Francisco de Assis Barbosa, Octávio Tarquínio de Souza, Rachel de Queiroz, Marques Rebelo, Santa Rosa, Portinari, Gilberto Freire, Adalgisa Nery, Lúcio Cardoso e muitos outros, como nos conta o próprio Graciliano, em Linhas Tortas, e mais recentemente Lucila Soares, jornalista e neta de JO, no excelente Rua do Ouvidor, 110.

A Livraria São José, especialmente nos tempos áureos do “mercador de livros” Carlos Ribeiro, que se instalou por conta própria em 1940. A cronista Eneida, ao fazer o seu perfil, lista alguns de seus habituais freqüentadores, como Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira, Josué Montelo, Herman Lima, Aurélio Buarque de Holanda dentre muitos outros. A moda das tardes de autógrafos se iniciou na São José na década de 1950.


Silvestre Mônaco trouxe a novidade para Niterói, começando seus lançamentos nas manhãs de domingo, na Livraria Ideal, da antiga Rua da Praia, hoje Visconde do Rio Branco, que levaram à criação do Grupo de Amigos do Livro, hoje Grupo Mônaco de Cultura, que congrega semanalmente muitos autores e leitores no chamado Calçadão da Cultura.

Outras livrarias em Niterói se notabilizariam como espaço de encontros entre autores e leitores, como a Encontro/Diálogo, a Casa da Filosofia, a Sapiens, a Pasárgada, a Gutenberg e a Ver-e-Dicto. Exemplos que destacam a antiga capital fluminense nas sociabilidades intelectuais ligadas à cultura do impresso.

Artigo publicado originalmente em O Prelo, Revista de Cultura da Imprensa Oficial do Rio de Janeiro. Niterói: ano V, nº 15, set/nov.2007, p. 21

Lembrança de Roberto Alvim Corrêa, por João Alexandre Barbosa



No meio de centenários literários ilustres – o de Murilo Mendes, o de Cecília Meireles e os próximos de Carlos Drummond de André e de Augusto Meyer –, o de Roberto Alvim Corrêa (1901-1983) passou esquivo e sem menção, de certa forma mimetizando o próprio professor, editor e crítico literário.

Na verdade, era um homem esquivo e discreto que somente a conversação ou a correspondência com amigos deixava ver toda a riqueza de suas experiências e, sobretudo, de suas inquietações.

Pelo menos, foi sempre esta a impressão que me passou quando o conheci nos inícios dos anos sessenta em que, já sendo autor de dois livros de ensaios críticos, Anteu e a Crítica, de 1938, e O Mito de Prometeu, de 1951, assim como de uma tese de concurso em literatura francesa, François Mauriac, essayste chrétien, também de 1951, e que circulou, em francês, numa pequena tiragem editada pela Editora Agir, publicou o seu Diário, em 1960, e sobre o qual escrevi uma resenha no ano seguinte ao da publicação. E a tanto se resume a sua obra escrita e publicada. (...)

Entretanto, além de ter sido um dos diretores, juntamente com Alceu Amoroso Lima e Jorge de Sena, da prestigiosa e útil coleção Nossos Clássicos, da Agir, teve uma atuação editorial surpreendente.

É que ele criou e dirigiu, entre 1928 e 1936, em plena Paris daquela festa descrita por Hemingway, uma editora que, sob o selo de Éditions Corrêa, publicou obras e autores importantes da literatura francesa, sobressaindo os seis volumes de Approximations e os quatro do Journal, de Charles du Bos, assim como ensaios do crítico Albert Béguin, autor do admirável L’âme romantique et le réve, além de obras de Jacques Maritain, François Mauriac, Gabriel Marcel, Marcel Raymond, entre outros.
(...)

Tudo isso para uma reconstrução daquilo que foi o aspecto mais instigante de sua biografia, o do criador de uma editora européia, e que terminou por ter importância em sua própria atividade intelectual, dando-lhe uma generosa tendência à disseminação da cultura francesa no Brasil nos anos quarenta e cinqüenta, como foi anotado por Drummond em sua crônica.

Excerto do artigo de João Alexandre Barbosa (1937-2006), publicado originalmente na revista Cult, S. Paulo, ano V, nº 55, e depois editada como parte integrante do livro Mistérios do dicionário, S. Paulo: Ateliê, 2004. Leia o texto integral do artigo nos Arquivos do e-grupo Cultura Letrada http://groups.google.com/group/cultura-letrada .

Para se conhecer o pensamento crítico de Roberto Alvim Corrêa, deve ler-se também o número especial da revista Tempo Brasileiro, “Prometeu e a crítica”, nº 55, Rio de Janeiro: out.-dez./1978.
A reconstrução de sua atividade de editor em Paris, a que se referiu João Alexandre Barbosa, infelizmente ainda não se fez. Sua neta, a bibliotecária Anne Marie Lafosse Paes de Carvalho, depositária de parte do seu arquivo pessoal, poderá fazê-la como uma de suas pesquisas no LIHED/UFF – Núcleo de Pesquisa sobre Livro e História Editorial no Brasil da Universidade Federal Fluminense. Será bela forma de homenagear a figura querida de seu avô e também de dar uma bela contribuição à história editorial franco-brasileira.

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

No teatro, uma viagem no tempo: o Rio civiliza-se!

Com um belo elenco, formado por jovens atores, o diretor Leonardo Simões, reapresenta, em quarta temporada, sua peça Encontro de Machado de Assis & Arthur Azevedo, reunindo textos curtos dos dois autores, muito diferentes, que viveram a mesma época de grandes transformações na cidade do Rio de Janeiro e na sociedade carioca, na virada do século XIX para o XX. Nada lhes escapou, especialmente a dupla vida das classes médias, na intimidade e na vida pública.

A peça desenvolve-se de forma itinerante nos belíssimos espaços do Solar do Jambeiro, um exemplar excepcionalmente bem conservado da arquitetura do século XIX, hoje espaço cultural da Prefeitura de Niterói. Na viagem, guiada por Machado e/ou Arthur Azevedo, percorrem-se situações, em geral, engraçadas ou líricas, que nos levam à Belle Époque, com seus contrastes e conflitos vinculados às grandes transformações urbanas da época, com pausas para pequenos saraus e leituras à luz de vela. Destaque para a leitura do conto, de Machado, A Missa do Galo.

A peça, que antecipa as comemorações que marcarão os 100 anos de morte de Machado e Arthur Azevedo, ambos falecidos em 1908, faz com que saiamos do Solar do Jambeiro com a alma enriquecida pelos excelentes textos literários apresentados, pelas músicas muito bem executadas, e por uma encenação que nos faz esquecer que estão ainda em formação os atores. Mérito certamente do experiente diretor e de sua equipe. Os figurinos e a iluminação são de muito bom gosto. Parabéns.

Todas as sextas-feiras, às 19h, de 12 de outubro a 14 de dezembro de 2007.
No Solar do Jambeiro, Rua Presidente Domiciano, 195 - Ingá, em Niterói - RJ.
Reservas pelo telefone (21) 2109-2222.
Outras informações: encontromachadoearthur@gmail.com
Faça uma visita virtual ao Solar do Jambeiro http://www.solardojambeiro.com.br/

Agenda cultural e algumas dicas


Lançamentos de livros:



Bons Ventos – a trajetória vencedora da família Schmidt Grael, de Rogério Daflon, publicado pela Editora Senac-Rio.
18 de outubro, 19:00, Rio Yacht Club. Estrada Fróes, 418, São Francisco - Niterói-RJ

Ávida palavra, de Lena Jesus Ponte (veja convite, acima)
25 de outubro, de 18 às 22h, Centro Cultural Paschoal Carlos Magno, Campo de S. Bento, Niterói
O canto da unidade. Em torno da poética de Rumi, de Marco Lucchesi e Faustino Teixeira
18 de outubro, 19:00, na Livraria Letras e Expressões
Av. Ataulfo de Paiva, 1292, loja C - Leblon - Rio de Janeiro


Evento internacional sobre a Língua Portuguesa:
XXVI Convenção Elos Internacional 2007
Tema “O futuro do Elismo e da Língua Portuguesa na ONU”.
18 de outubro, abertura: 17 h. Até 21 de outubro.
Teatro Popular Oscar Niemeyer, Caminho Niemayer, Niterói - RJ
Informações: elosclube.niteroi@gmail.com


Concursos literários:

Concurso Literário Professor Horácio Pacheco (poema, crônica ou conto)
Promovido pela Academia Niteroiense de Letras (ANL) em parceria com a Imprensa Oficial do Estado do Rio de Janeiro (IO); objetiva premiar textos inéditos, escritos obrigatoriamente em língua portuguesa.
Inscrição: 22 de outubro a 21 de dezembro de 2007. Grátis.
Mais informações:
http://www.academianiteroiense.org.br/

I Concurso Nacional de Literatura Arti-Manhas - “Prêmio Luís Antônio Pimentel de Literatura”
Comemoração do terceiro aniversário do sítio virtual Arti-Manhas, coordenado pelo artista plástico Porto Filho.
Mais informações: http://www.arti-manhas.com/


Espaços virtuais a visitar ou revisitar:

Blog do Galeno
http://www.blogdogaleno.com.br/
Coordenação de Galeno Amorim
Tudo ou quase tudo sobre o que acontece na área do livro e da leitura no Brasil, inclusive na área das políticas públicas.


A terceira gaveta, de Henrique Chaudon
Espaço de criação, reflexão e compartilhamento do
excelente poeta e marceneiro
http://aterceiragaveta.blogspot.com/

Leitores & Livros
Conheça o trabalho de Luiz Gadelha em prol do livro e da leitura.

Visite o sítio virtual: http://www.leitoreselivros.com.br/maisleit.htm


Portal de Cultura e Política de Niterói
O trabalho e a ação política do vereador André Diniz em favor da vida cultural niteroiense.
http://www.andrediniz.com.br/

A Quitanda do Chaves
Blog de Wilton Chaves, do Rio de Janeiro, sociólogo, vascaíno e caminhante. Ex-profissional do livro que tem excelentes histórias de livros, livreiros e editoras. Suas matérias são sempre ilustradas com reprodução de obras de arte. A última é do grande Quirino Campofiorito.
http://quitandadochaves.blogspot.com/

E ainda:


Estudar na França? Conheça a Segunda Caravana França-Brasil
O CampusFrance realiza salões e palestras sobre estudos na França no Rio de Janeiro,
em Belo Horizonte e Salvador, de 22 a 27 de outubro de 2007
No dia 23 de outubro, terça-feira, palestras e salão para estudantes, no Rio de Janeiro
Local: Maison de France, Av. Presidente Antônio Carlos, 58
14h00 – 14h40 Palestra sobre os estudos superiores na França (teatro)
14h40 – 15h30 Mesa-redonda sobre a importância da experiência internacional (teatro)
15h30 – 20h00 Salão para estudantes com a presença de instituições francesas de ensino (12.º e 13.º andares)
Mais informações:
http://www.edufrance.com.br/2/

Como cuidar e manter sua biblioteca:

Leia as notícias e conheça a programação da
Associação Brasileira de Encadernação e Restauro – ABER
http://aber.locaweb.com.br/
Encadernação, douração, higienização, pequenos reparos, álbuns de fotografias... Oferece vários cursos nos próximos meses, em São Paulo. As inscrições estão abertas e as vagas são limitadas.
Rara e raro leitor, são muitas as possibilidades de exercer sua vocação intelectual e seu amor pela escrita, pela leitura e pelos livros. Aproveite. Se tiver alguma dica ou sugestão, envie-nos. Poderemos aproveita-la na próxima agenda cultural.

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Antônio Hohlfeldt, patrono da 53ª edição da Feira do Livro de Porto Alegre

Considerada por muitos a mais tradicional feira de livros do Brasil, reúne milhares de leitores, autores, livreiros e editores, ao ar livre, em torno da Praça de Alfândega e seus arredores, na capital gaúcha. Com Antônio Hohlfeldt como patrono, será aberta dia 26 de outubro e se estenderá até 11 de novembro de 2007, com uma programação intensa que inclui sessões de autógrafos, palestras, oficinas e apresentações artísticas.

Mais informações sobre a Feira: http://www.camaradolivro.com.br/

Sobre o patrono da 53ª edição:

Antônio Carlos Hohlfeldt nasceu em Porto Alegre, em 22 de dezembro de 1948. Consegue conciliar, de forma brilhante, suas atividades de pesquisador das áreas de Comunicação e Letras com as de jornalista, escritor e político. Dentre outros cargos, foi eleito, em 2002, para exercer o mandato de Vice-Governador do Estado do Rio Grande do Sul, ao lado do Governador Germano Rigotto.
Professor da PUCRS, onde leciona na graduação e no Programa de Pós-graduação em Comunicação, é ensaísta, romancista, autor de inúmeros artigos e livros, inclusive de literatura infantil. É coordenador do Núcleo de Pesquisa de Jornalismo, da Intercom. Escreve coluna semanal de crítica teatral no Jornal do Comércio, de Porto Alegre. Recentemente recebeu o Prêmio Luiz Beltrão de Ciências da Comunicação 2007, concedido pela Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom) aos pesquisadores que mais se destacam na área.

A questão do preço único para o livro no Brasil voltou à discussão

Mileide Flores, da Livraria Feira do Livro, de Fortaleza, uma guerreira em defesa das livrarias e do livro, distribuiu informações e sugeriu leituras para a qualificação do debate, que consideramos muito pertinentes e passamos a nossas raras e raros leitores:

Sá-Earp, Fábio e Kornis, George (2005). A economia da cadeia produtiva do livro. Rio de Janeiro. BNDES. Disponível gratuitamente em: http://www.bndes.gov.br/conhecimento/publicacoes/catalogo/ebook.asp

O texto: “A questão do preço único: uma contribuição da Editora SENAC/SP”, disponível para acesso nos "Arquivos" do e-grupo Cultura Letrada:
http://groups.google.com/group/cultura-letrada

E o livro:
Gerlach, Markus (2006). Proteger o livro: desafios culturais, econômicos e políticos do preço fixo. Rio de Janeiro. LIBRE.

Sugerimos também a leitura da revista
Pensar el libro, publicada pelo CERLALC (Centro Regional para el Fomento del Libro en América Latina y el Caribe, com um número especial sobre o preço fixo (em espanhol). Acessível em: http://www.cerlalc.org/revista_precio/n_articulo09.htm

O tema foi retomado na 17ª Convenção Nacional de Livrarias que aconteceu entre os dias 10 e 12 de setembro último, no Rio de Janeiro.
Mais informações: sítio da Associação Nacional de Livrarias:
www.anl.org.br

A questão, como sabem nossas raras leitoras e leitores, é de grande interesse, pois visa proteger as pequenas e médias livrarias diante do poder avassalador das grandes redes de comercialização do livro, que tem levado à redução do número, já tão pequeno em nosso país, dessas livrarias, fundamentais para as editoras e para o leitor cujos interesses vão além dos best-sellers. A questão, como se pode imaginar, é complexa, por isso, está em discussão. Contribua com seu comentário.

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Marcus de Moraes, in memorian

Foi sepultado hoje no Cemitério do Marui, em Niterói, Marcus Felicius Ayrosa Fernandino de Moraes, brilhante advogado e ser humano exemplar. Dele guardo, em especial, a convivência fraterna no período em que estivemos juntos servindo a um projeto político na Prefeitura Municipal de Niterói. Dessa convivência, saí com a certeza que há homens capazes de fazer política sem se deixar corromper. Marcus de Moraes foi um desses homens raros. Seu saber, dignidade e elegante discrição eram um exemplo para todos nós, seus amigos e admiradores. Niterói, a política fluminense e o saber jurídico sofrem uma grande perda. Perco eu uma das referências e um gentil amigo. Duras perdas, hoje.

Em 1963, Marcus de Moraes publicou este soneto:

A Ela

Dourado pomo de passada infância,
amor medroso de querer demais,
meu caminho perdido na distância
que o retorno do tempo não refaz.

Desejo de viver como a fragrância,
trespassado de sol, de luz, de paz.
Revérbero de rubra rutilância
que o retorno do tempo hoje me traz.

Beijos de luz de minha meninice,
aurora de esperanças que se abrisse
em claridade mística de cor,

no chão que piso há catassóis esparsos,
iluminuras dos teus olhos garsos,
desejos novos do teu velho amor!

In 37 poetas fluminenses, 1963, p. 150.


MARCUS DE MORAES (16/07/1929-8/10/2007), poeta, jornalista, advogado, nasceu no Rio de Janeiro, em 16 de julho de 1929. Passou sua infância em Cachoeiras de Macacu. Em 1944, radicou-se em Niterói, onde estudou no Colégio Brasil, Colégio Plínio Leite e na Faculdade de Direito de Niterói, onde se formou em 1953. Foi orador de quase todas as turmas e agremiações a que pertenceu, inclusive, da antiga Associação Fluminense de Estudantes. Assinou, durante algum tempo, “A Coluna do Trabalhador”, no jornal Diário do Povo, de Niterói, colaborou no O Gládio, jornal da faculdade, e nos jornais Hoje e Diário Fluminense, neste como colunista diário, em 1961. Tem trabalhos poéticos publicados em revistas e jornais e no livro 37 Poetas Fluminenses, de 1963, Edições Letras Fluminenses (Niterói-RJ), com prefácio de Lyad de Almeida e capa de Luís Antônio Pimentel. Publicou Almenaras, uma seleção de poemas produzidos até 1963, e deixa inédito um outro livro de poemas, De sonhar, ao menos.

Membro da Academia Fluminense de Letras. Foi advogado do BNDES e procurador do então Estado da Guanabara. Amigo do governador Leonel de Moura Brizola, foi advogado do Partido Democrático Trabalhista (PDT). Exerceu vários cargos públicos, dentre eles o de Procurador Geral do município de Niterói e também no município do Rio de Janeiro. Recentemente publicou uma obra jurídica.

Fonte principal: Enciclopédia de Niterói, de Luís Antônio Pimentel, Obras Reunidas 1, organização de Aníbal Bragança, Niterói Livros, 2004, p. 208-9.

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Alcione Fernandes Baptista, adeus!

Conheci Alcione, estudante, freqüentadora da Livraria Encontro, depois, Diálogo, formando com Wagner Neves da Rocha e José Jeremias de Oliveira Filho, o trio de jovens intelectuais, formandos na área de Ciências Sociais, na UFF e na UFRJ, em 1966/1967. Eram os maiores compradores de livros da então recém-fundada livraria e certamente os maiores leitores dessa geração.

Alcione se destacava também por sua coragem cívica. Morando perto da livraria, percebeu logo quando esta reabriu após ter sido saqueada e fechada pós-AI-5. Foi a primeira a entrar e prestar solidariedade. Nem todos tiveram essa atitude, receando comprometer-se numa época de medos e ameaças.

Desde esse tempo Alcione esteve no bom combate. Escreveu a tese "O povo capturado na apreensão do Brasil. Uma releitura dos estudos brasileiros de folclore: 1945-1964", defendida na Universidade Federal Fluminense em 1986, que infelizmente não foi ainda publicada, embora suas qualidades sejam sempre louvadas.

Pequena mostra do perfil intelectual e do lugar social ocupado por Alcione se pode perceber no texto do discurso que fez em homenagem ao artista plástico Miguel Coelho, quando este foi homenageado na Câmara Municipal de Niterói, em 2002, do qual extraímos este excerto:

(...)
As reuniões da casa de Dr. Paulo eram realizadas nas noites de sexta-feira. Nos acontecimentos especiais ou quando recebiam visitas ilustres, transferiam-nas para as tardes de sábado. Houve o impacto da visita de Dona Célia Guevara, mãe de Che Guevara, no momento decisivo da Revolução Cubana.
Estiveram em casa de Dr. Paulo artista do porte de Frank Schaeffer e do casal de pintores franceses Roger e Júlia van Roger. Gente da expressão de Newton Rezende e Iberê Camargo.
O crítico literário Agripino Griecco deixava o Jardim do Méier e marcava presença na Quinze de Novembro. Achilles, Ruy, Magro e Miltinho, via CPC da UNE, criavam o MPB-4. E lá cantavam o “Subdesenvolvido”, onde diziam que os papagaios – que deslumbraram a frota de Cabral em 1500 – haviam se transformado em frangos das “Casas da Banha”, rede de supermercados da época.
Lou, poderosíssima jornalista da efervescente “Última Hora” – um espaço enorme em sua coluna diária – levava equipes da TV-Rio para a cobertura dos eventos. E Luís Antônio Pimentel, como sempre, fotografava tudo.
Participaram daquele movimento: Affonso Celso Nogueira Monteiro, Marta e Geraldo Reis, Alcinda e Geir Campos, as duas Marias Jacinthas – tia e sobrinha, Lou e Jacy Pacheco, Luís Antônio Pimentel, Renata e Dr. Aldo Rossi – com suas filhas Dália, Adriana e Lia Mônica, Maria Felisberta obviamente, Dayse Lemos, Irene Galindo e Dr. Alberto Hammerli – pais da bailarina Áurea e da profissional de saúde Ilara, o professor Tasso Moura, Lígia Lemme e Wilson Menezes, Jacy Pereira Lima – o Jacy Barbudo, Elza Sauerbronn, o médico Irun Santana, Irene e Rubem Guawer Wanderley, ela vereadora e ele engenheiro construtor. Com a diáspora da tragédia de 1964, foram residir na Bolívia.
Tive oportunidade de ir uma única vez à casa de Dr. Paulo. Eu era forasteira, adventícia, recém-chegada a Niterói. Fui na companhia do engenheiro Roberto Botelho Salles, filho do médico campista Dr. Walter Salles e de Dona Jacy, pessoas que Affonsinho conheceu muito. Enfim, expressões libertárias da cidade de Campos.
Pouco retive da reunião a que compareci: a primeira vez que vi o nosso pintor. Miguel era de uma visibilidade imensa, parecia personagem central do movimento da casa de Dr. Paulo.
Aproveito a oportunidade para fazer um agradecimento. Cheguei aqui em 1962 e posso dizer que entrei pela porta da esquerda. Tive sorte e olhos para ver. Na primeira hora, conheci Roberto e Affonsinho. Roberto me apresentou a Pimentel que, por sua vez, me apresentou à cidade e consolidou minha paixão por Niterói.
Conheci Lou, então destacada jornalista na imprensa do Rio, simpática, delicada, afável. E prima de Noel Rosa. Sem ter sido sua aluna, fui interlocutora privilegiada da teatróloga Maria Jacintha, o que me enchia de orgulho. Muito mais tarde, aproximei-me de Maria Felisberta. Nunca me filiei ao PCB. Ninguém acredita, porque assimilei suas formas de pensamento e militância.
Só que o “Mundo Livre” venceu o “Império do Mal”. Nos marcos da Guerra Fria, caiu a longa noite de 1964, a maior decepção de minha vida.
Miguel não perdeu a capacidade de instigar. O crítico Walmir Ayala promoveu uma exposição em Ipanema, com doze pintores. Cada um deveria expressar a sua concepção de Cristo. Miguel se inspirou no atleta Paulo César Lima que, aderindo à onda black-power de rebeldia dos negros norte-americanos fora apedrejado na Zona Sul, por estar com carro da moda e namorada loura.
Pintou uma tela agressiva, em que Paulo César ocupava o lugar de Cristo na cruz. A censura proibiu sua entrada na galeria. Viu o famoso Guima e outros artistas retirarem seus quadros e a exposição se realizou na calçada. A tela foi adquirida pela senhora Georgete Tauil Rodrigues que, com sua sensibilidade, captou o significado do episódio, naqueles anos de chumbo.

Foi na Livraria Diálogo, de Aníbal Bragança, Carlos Alberto Jorge e Renato – a primeira livraria de envergadura de Niterói – na rua Visconde de Moraes, que, em 1966, conversei com Miguel. Tempo da passeata dos Cem Mil. Miguel ilustrou o livro “O Menino de Belém”, do poeta César Araújo, movido pela morte do estudante paraense Edson Luís, no restaurante “Calabouço”, da Universidade do Brasil, hoje UFRJ. E expunha na “Diálogo” no exato momento do Ato Institucional n° 5, em dezembro de 1968. Como ocorreu com todos os espaços da inteligência, lacraram a livraria e prenderam Aníbal. Os quadros foram retidos, inclusive a “Bandinha de Música”, tela preferida de Ludmila, ainda muito pequena.
(...)

Para ler o texto completo, acesse os "Arquivos" do e-Grupo Cultura Letrada:
http://groups.google.com/group/cultura-letrada

Alcione acaba de nos deixar órfãos de sua presença e sua amizade. Seu corpo está sendo velado e será enterrado amanhã, dia 9 de outubro, no Cemitério Parque da Colina, em Niterói, às 12h. Deixa-nos uma presença indelével, na vida política e cultural da cidade, e na memória: uma guerreira doce e fraterna combatendo ao lado dos que sonharam (e sonham?) com um mundo melhor.

domingo, 7 de outubro de 2007

Um ensaio filosófico a partir dos haicais de Luís Antônio Pimentel





(...)
A introdução da cultura ocidental no Oriente foi responsável por alterações na perspectiva de seus povos. No Japão, a presença da cultura ocidental-européia é registrada desde os séculos XVI e XVII. Enquanto doutrina possuidora de uma perspectiva, o cristianismo se consolidava principalmente entre a população camponesa até sua violenta repressão e seguida proibição no auge da dinastia dos Tokugawa (1616-1868). Essa deu início a um período de isolacionismo cultural, por um lado fecundo ao campo do pensamento e das artes nativas, de modo a falar-se de um renascimento daquela cultura e da superação do modelo cultural chinês, vigente desde o século IV. d.C.

Nesse período, vemos o cultivo do haicai com autores como Busson, Kobayashi e Issa. Entre esses, o último tornou-se, em sua época, mais conhecido do que o próprio Bashô ao introduzir inovações ao haicai. Não se tem notícia de que Issa tenha tido contato com a cultura judaico-cristã, mas constatam-se algumas características de seus poemas que o aproximam dessa e o distanciam do modo canônico de se fazer haicai.

Perspectiva recrudescida sob a Era Meiji (1868-1912), na qual se abriu a cultura à influência dos ocidentais deixando que o mundo europeu (representado nas artes pelo romantismo, simbolismo e impressionismo) infiltrasse o pensar japonês.

O contato com o mundo ocidental apresentou necessidades que até então o japonês não tinha. Promoveu a urgência de desenvolver vocabulário e gramática para dizer o que era experiência completamente exótica àquele. Nesse período, vê-se nas universidades européias, sobretudo nas de Letras e de Filosofia, grande procura de acadêmicos japoneses ávidos de tomar conhecimento daquele modo de pensar que não se contenta com a imediatez da coisa e se lança ao perscrutar a realidade-verdade.

Doravante, a distinção entre Ocidente e Oriente passaria a não ser mais uma convenção geográfica das fronteiras entre os hemisférios do globo, Ocidente passa a ser a denominação de
uma visão de mundo que acomete outra e que faz com que encontremos também na segunda a preocupação em pensar o universal de todas as coisas. Essa preocupação parece refletir no
Oriente quando presenciamos questionamentos formulados no interior de haicais, como Pimentel evoca:

Que é um haicai?
É o cintilar das estrelas
num pingo de orvalho.
(...)

O livro Verdade-Metafísica-Poesia – Um ensaio de filosofia a partir dos haicais de Luís Antônio Pimentel, do qual retiramos o excerto acima, é de Roberto Kahlmeyer-Mertens, professor universitário, doutorando em Filosofia na Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ. Kahlmeyer-Mertens escreveu um ensaio filosófico, denso, profundo, mas claro e leve, que, a partir da análise da poesia haicai de Luís Antônio Pimentel, aponta para as hibridizações entre as culturas ocidental e oriental. Leitura muito agradável e enriquecedora que recomendamos aos nossos raros leitores.

A obra, editado pela NitPress http://nitpress.tripod.com/ , foi lançada na Bienal Internacional do Livro, do Rio de Janeiro, em 22/09/2007, com mesa-redonda composta por este neoblogueiro, o próprio autor e Luís Antônio Pimentel. O evento se deu na ilha Letras de Niterói, organizada por vários editores da antiga capital fluminense.

Para ver imagens do lançamento, acesse o álbum de fotos (endereço abaixo):
http://picasaweb.google.com/anibalbraganca/BienalInternacionalDoLivroRioDeJaneiroLanAmentoLivroDeRobertoKahlmeyer
O escritor fluminense Luís Antônio Pimentel viveu no Japão de 1937 a 1942, onde teve publicado, no idioma japonês, o livro Namida no Kito (Prece em lágrimas), em 1940, a primeira obra poética de autor brasileiro editada no país do sol nascente. Para saber mais dessa edição e conhecer sua obra literária, sugerimos consultar Contos do velho Nipon, 12 dias com Leviana, Tankas e Haicais, o volume 2 das Obras Reunidas de Luís Antônio Pimentel, organizadas por este neoblogueiro, e publicadas pela Niterói Livros [livros@culturaniteroi.com.br ], em 2004, onde se incluiu uma edição parcial, fac-similar, ilustrada, acompanhada de versão em português, hoje desaparecida, de alguns dos seus belos poemas de Namida no Kito, além do hoje clássico Tankas e Haicais, originalmente publicado em 1953. O volume inclui estudos da poética de Pimentel por Sonia Regina Longhi Ninomiya, Lúcia Teixeira, Cyana Leahy e Luiz Fernando Medeiros de Carvalho, além da apresentação deste neoblogueiro.

sábado, 6 de outubro de 2007

Arthur Arezio da Fonseca, baiano, tipógrafo notável, autor do primeiro dicionário de artes gráficas da língua portuguesa

No Dicionário de Tipógrafos e Litógrafos Famosos, de Rui Canaveira, o verbete sobre o grande tipógrafo baiano Arthur Arezio da Fonseca (1873-1940), oferece-nos informações básicas da sua trajetória:

FONSECA, ARTHUR AREZIO da – Tipógrafo brasileiro nascido na Bahia a 10 de junho de 1873, considerado um dos mais importantes do seu tempo no Brasil, e que foi também escritor e editor. Ingressou como aprendiz de tipógrafo nas oficinas do Jornal de Notícias em setembro de 1887, foi paginador da Gazeta de Notícias em 1896, paginador e administrador de A Bahia até junho de 1898, chapista nas oficinas da Tipografia Baiana e de Vicente de Oliveira Botas, onde aprendeu a arte da litografia, paginador do Correio de Notícias em 1889, do Diário da Bahia em 1902, do Diário de Notícias em 1903, donde saiu para em 1905 abrir a Gazeta do Povo. Em 1907 criou, de parceria com António Josué Carvalho, a Oficina Xilo-tipográfica Arezio & Carvalho que fecharia em 1912 para dirigir a instalação da Imprensa Oficial do Estado de que foi depois administrador técnico, a partir de novembro de 1915. Foi membro de várias instituições profissionais e culturais, tendo ingressado na Associação Typographica Bahiana em 1902. Criou e foi o primeiro editor do Boletim Graphico entre 1916 e 1917. Pertenceu à direção do Liceu de Artes e Ofícios nas décadas de 1920 e 1930.
Escreveu cinco livros sobre a arte tipográfica. O primeiro, Serões typographicos foi publicado em 1905 e é uma colectânea dos artigos que escreveu entre 1902 e 1903 para a Revista da Associação Typographica Bahiana. O segundo livro saíu em 1907 e tem o título de Esboço typográfico, possuindo ilustrações do próprio Arthur Arezio da Fonseca, impressas com xilogravuras abertas em casca de cajazeira. Trata da história da imprensa e de vários temas afins com as Artes Gráficas. O terceiro livro, de 1916, impresso pela Imprensa Oficial do Estado, tem o título Machinas de compor e nele se descreve a evolução da composição mecânica e se alertam os compositores manuais para aprenderem a usar o novo equipamento de composição. A quarta obra do tipógrafo brasileiro chama-se Revisão de provas typographicas e saíu em 1925, tendo sido muito usado por todos quantos queriam abraçar a profissão de revisor. O último livro de Arthur Arezio é o Diccionario de termos graphicos, publicado pela Imprensa Oficial do Estado em 1936, na Bahia. É considerado o primeiro dicionário para artes gráficas em língua portuguesa, e o autor foi premiado em 1938, com o Prémio Caminhoá, por causa deste seu dicionário. Escreveu mais quatro livros inéditos segundo dados biográficos organizados por seu filho, não se sabendo onde param os originais. Esses livros são, de que existem três folhas do rascunho, O Formato dos Livros, de que existem três capítulos, Branco + Negro e Cálculos typographicos. Arthur Arezio da Fonseca faleceu em 16 de Julho de 1940.

Rui Canaveira, pesquisador português, membro da American Printing History Association e da Historical Printing Society de Londres, é autor dos livros História das Artes Gráficas, I, II e III volumes, Como Criar uma Empresa Gráfica e Transformadora do Papel, e. dentre outros, do Dicionário de Tipógrafos e Litógrafos Famosos, do qual retiramos o verbete acima, que está disponível nos arquivos do e-Grupo Cultura Letrada http://groups.google.com/group/cultura-letrada .

Pequena biografia de Rui Canaveira encontra-se no sítio do IPTS - Instituto Português de Tecnologias e Serigrafia http://www.iptshome.org .

Para se obter mais informações sobre a obra de Arthur Arezio, rara ou raro leitor, será necessário conhecer os trabalhos do jornalista e professor Luís Guilherme Pontes Tavares editor@alba.ba.gov.br , também nascido na Bahia, que a ela dedicou muitos anos de pesquisa, tendo publicado vários artigos e também sua tese de doutorado em História, defendida em 2000, na Universidade de São Paulo (USP), editada com o título Nome para compor em caixa alta: ARTHUR AREZIO DA FONSECA, ISBN 85-99366-01-7, na Coleção Cipriano Barata, pela Empresa Gráfica da Bahia, com apoio do Governo da Bahia e do Núcleo de Estudos da História dos Impressos da Bahia.

domingo, 30 de setembro de 2007

Aníbal Bragança: Felisberto de Carvalho, educador niteroiense na memória nacional

Ladeando este neoblogueiro, após a entrega da Medalha, Maria Inês de Carvalho, bisneta, e Maria Carneiro de Carvalho, casada com Emmanuel de Carvalho, neto de Felisberto de Carvalho, à esquerda; à direita, Cícero Nascimento, livreiro, e o Vereador André Diniz, atual secretário municipal de Cultura, de Niterói. Foto de Jadson Martins.

Conforme o previsto, rara e raro leitor, no dia 20/09/2007, realizou-se a solenidade na Câmara Municipal de Niterói de entrega da Medalha Professor Felisberto de Carvalho a este neoblogueiro, por iniciativa do vereador André Diniz, atual secretário municipal de Cultura.
O clima de alegria e fraternidade, mais que o solene, marcou o evento, para o que concorreram as presenças, físicas e mesmo virtuais, de amigas e amigos que generosamente atenderam ao convite para compartilhar comigo de mais um ato de congraçamento entre o indivíduo e a sua cidade de eleição, Niterói, que, como o Brasil, acolhe de braços abertos os que chegam para trabalhar, conviver e servir. Obrigado a todos, mas de uma forma especial, à família de Felisberto de Carvalho que honrou a todos nós com sua presença.

Acesse o álbum de fotografias para ver ou rever alguns dos momentos e algumas das pessoas que marcaram a solenidade:

Do texto-base da palestra "Felisberto de Carvalho, educador niteroiense na memória nacional", recortamos este trecho:

Sobre a memória nacional dos livros de Felisberto de Carvalho:
Uma busca preliminar de reconhecimento do estado atual das pesquisas nessa área, permitiu-nos ter uma idéia da importância que tiveram os livros de leitura de Felisberto na formação de várias gerações em diferentes espaços, rurais e urbanos, da sociedade brasileira, nas últimas décadas do século XIX até às primeiras décadas do século XX, especialmente através dos registros feitos em livros de memórias, romances e poesias. Outros dados, como o do número de edições e tiragens, assim como a documentação arquivística, registros de pedidos e compras de livros etc., permitem ter-se uma idéia da circulação dos livros.

No livro de memórias do advogado e presidente (em 1991) da Academia Mineira de Letras, O Menino da Mata e seu cão Piloto, Vivaldi Moreira, afirma que Felisberto de Carvalho,

“mestre extraordinário da infância e da juventude”, (...) “espalhou em seus livros tudo que havia de alma, coração, sabedoria e ciência. Seus trabalhos desvirginaram nossa inteligência, ensinaram-nos de verdade. A mocidade de várias gerações de tudo a ele”.

A pesquisadora Francisca Maciel confirma que, junto com O Primeiro Livro de Leitura de Abílio César Borges e o de Hilário Ribeiro, os livros de Felisberto de Carvalho “fizeram parte da trajetória escolar de várias gerações de mineiros”. Afirma que “as primeiras edições datam, provavelmente, do final do século XIX e esses livros continuaram a ser editados até meados do século XX”.

Para ler o texto integral - AB: Felisberto de Carvalho, educador niteroiense na memória nacional - acesse o Arquivo do e-Grupo Cultura Letrada, clicando aqui:

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Conhece Felisberto de Carvalho?







Reprodução das capas de volumes da série Meu Livro de Leitura pertencentes ao acervo FA do Núlceo de Pesquisa sobre Livro e História Editorial no Brasil - LIHED/UFF, e a reprodução da foto do Prof. Felisberto de Carvalho, extraída do livro de Lacerda Nogueira, A mais antiga Escola Normal do Brasil (1835-1935), Niterói, 1938.

Gilberto Freyre, em sua obra Ordem e Progresso, 2 v., publicada pela José Olympio, em 1959, na qual apresenta o "processo de desintegração das sociedades patriarcal e semipatriarcal do Brasil sob o regime de trabalho livre", na transição da Monarquia para a República, afirma que os livros de Felisberto de Carvalho foram "verdadeiramente nacionais, na época em apreço, como livros escolares ou didáticos concorrendo de modo nada desprezível para a unidade brasileira de sentimento" (p. 191).

Luís Antônio Pimentel, no livro Eles nasceram em Niterói, incluído na Enciclopédia de Niterói, vol. 1 de suas Obras Reunidas, organizadas por este neoblogueiro, edição da Niterói Livros, de 2004, no verbete de Felisberto de Carvalho, afirma que "seus livros foram adotados em todo o Brasil durante decênios" e que "em 1950, ano de centenário de seu nascimento, todo o país, principalmente a imprensa, comemorou o acontecimento, exaltando as virtudes do mestre de tantas gerações" (p. 76).

Felisberto de Carvalho nasceu em Niterói, na Rua São Lourenço, em 9 de agosto de 1850, e faleceu no Rio de Janeiro em 18 de outubro de 1898. Foi jornalista, músico, professor e autor de livros didáticos que deixaram marcas na memória nacional.

Seu nome identifica, além de uma Escola Estadual em Niterói, uma honraria criada pela Câmara Municipal que distingue nomes que atuam na área educacional. Este neoblogueiro foi distinguido com a Medalha Professor Felisberto de Carvalho, por proposta do Vereador André Diniz, e a estará recebendo no próximo dia 20, quinta-feira, às 18 h., no Plenário Brígido Tinoco. daquela Câmara, na Av. Amaral Peixoto, 625, Niterói, com a presença dos amigos e a entrada franca. Na oportunidade fará breve palestra sobre o patrono da Medalha.

Saiba um pouco mais da trajetória deste neoblogueiro lendo a biografia publicado por Luís Antônio Pimentel no jornal A Tribuna, de 22 de agosto de 2007. Acesse o Arquivo do Grupo Cultura Letrada http://groups.google.com/group/cultura-letrada .



terça-feira, 11 de setembro de 2007

Marialva Barbosa lança seu novo livro no Rio de Janeiro

A historiadora Marialva Barbosa, professora titular do Departamento de Estudos Culturais e Mídia e do Programa de Pós-graduação em Comunicação da UFF, portanto colega deste neoblogueiro, que a ela dedica grande apreço e amizade, irá lançar seu novo livro, História Cultural da Imprensa - Brasil, 1900-2000, publicado pela Mauad Editora, na Livraria Travessa, de Ipanema (Rua Visconde de Pirajá, 572), na próxima terça-feira, dia 18, a partir de 19:30.
Estaremos lá e convidamos os raros e raras leitoras deste blog que se interessam pelo tema a aproveitarem a oportunidade para terem o seu exemplar com dedicatória da autora, o que é um privilégio.
O livro divide-se em 9 capítulos: Tecnologias do novo século (1900-1910); Entre tragédias e sensações: o jornalismo dos anos 1920; Vestígios memoráveis: construindo identidade e história (1920-1930); Imprensa e Estado Novo: o público como "massa" (1930-1940); Literatura como vestígio do tempo: a imprensa e o olhar dos literatos (1900-1950); "Cinqüenta anos em cinco": consolidando o mito da modernização (1950-1960); Novos atores em cena: a imprensa nos anos 1960; Cenários dos anos 1970-80: crise do Correio da Manhã e o novo sensacionalismo; Calidoscópio de mudanças (1980-2000).
No prefácio, José Marques de Melo, professor emérito da Universidade de São Paulo, afirma: "Não tenho nenhuma dúvida em situar História Cultural da Imprensa, magnificamente escrito pela professora Marialva Barbosa, no mesmo patamar ocupado pela vanguarda nacional da História da Mídia. Sua instigante, deliciosa e sedutora História da Imprensa cobre todo o século XX, perfilando como narrativa de fôlego sobre a modernização da nossa mídia impressa".
Oferecidos aos leitores, por artes do destino e dos editores, de maneira concomitante, o livro de Marialva Barbosa e o de Richard Romancini e Cláudia Lago oferecem ao estudante e ao estudioso da imprensa brasileira diferentes olhares e perspectivas bem singulares sobre sua história, cuja bibliografia sai assim muito enriquecida.
Mais uma vez, é certeiro repetir que a coruja de Minerva levanta vôo ao anoitecer.

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

De Romancini e Lago, saiu a História do Jornalismo no Brasil!


Segundo os autores, Richard Romancini e Cláudia Lago, ambos doutores em Ciências da Comunicação pela ECA/USP, pesquisadores da área e professores universitários em S. Paulo, o livro procura “integrar o processo histórico mais amplo às atividades que digam respeito ao jornalismo, mostrando suas inter-relações com o quadro sociopolítico, mas sem ter a pretensão de produzir uma ‘história do Brasil” e sim, “uma história do jornalismo no país, estruturada ao redor, principalmente, do jornal impresso”.

Pelos laços de afeição acadêmica e de grande apreço pessoal que me une aos dois, especialmente ao Richard, de quem conheço de muitos anos a seriedade nos trabalhos que desenvolve, aceitei o honroso convite para escrever um prefácio para o livro. É esse texto que ofereço aos raros e raras leitoras deste blog, no qual mais que da obra falo das condições atuais das práticas de leitura e de acesso ao livro no Brasil. Entretanto, posso assegurar que vale a pena correr à livraria mais próxima, física ou no virtual, e pedir já o seu exemplar.


Prefácio:
Uma das dificuldades que enfrenta o professor universitário brasileiro, em muitas áreas, é a falta de uma bibliografia intro­dutória, cuja leitura possa ser útil aos alunos, oferecendo-lhes um panorama geral e sintético dos conhecimentos acumulados na disci­plina que vai cursar, e que, assim, possa facilitar e complementar o trabalho docente.
As novas tecnologias de informação e comunicação, especial­men­te a Internet, têm trazido aos alunos, e a todos, fácil acesso, ain­da que desordenado, a todo tipo de conhecimento. Acrescenta-se ainda a notável tecnologia xerográfica, que permite copiar rapida­mente, a baixo custo e com qualidade, excertos e obras completas, a partir de um livro impresso ou mesmo de outras cópias. Tais re­cur­­sos técnicos foram criando novas práticas de pesquisa que levam ao decréscimo acentuado do uso de livros impressos, em geral, com evidentes prejuízos para editores, livreiros e autores, mas, também, pelo menos nas condições atuais, para a formação do pesquisador.
A leitura de livros exige condições psíquicas e ambientais cada vez mais difíceis de se conseguir na contemporaneidade, especialmente nas metrópoles, o que a tem tornado uma prática pouco atraente para muitos jovens, habituados a formas mais dinâmicas e interativas de acesso a conhecimentos.
Considerando ainda que, relativamente, os livros se tornaram, em geral, mais caros nos últimos anos, diante da redução das tira­gens das edições, por um lado, e, por outro, pela diminuição da renda das famílias brasileiras das camadas médias, decorrente de contínuas políticas públicas de concentração de renda, tudo resulta em que o hábito de freqüentar livrarias e adquirir livros, é cada vez menor. Nas universidades o que vemos, como prática mais comum, é a reprodução xerográfica de textos ou capítulos de livros indicados pelos professores, quase sempre com sua conivência e, mesmo, estímulo.
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Leia o texto integral do prefácio de Aníbal Bragança ao livro História do Jornalismo no Brasil nos Arquivos do e-grupo Cultura Letrada, clicando abaixo:
http://groups.google.com/group/cultura-letrada

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Auto-epitáfio de um editor, Benjamin Franklin


Aqui jaz, alimento para vermes,
O corpo de
B. Franklin,
Editor,
Tal como capa de alfarrábio
De páginas devastadas,
Despojada de letras e adornos.
Mas a obra não foi totalmente perdida:
Como ele acreditava, mais uma vez ressurgirá,
Em nova e aperfeiçoada edição,
Corrigida e ampliada,
Pelo autor.

Nascido em 6 de janeiro de 1706.
Morto em 17____
.

[Em 1728]

Segundo o apresentador do belo volume, Como escolher amantes, em pequeno formato e capa dura, os textos de Benjamin Franklin selecionados para o livro “são uma pequena amostra desse encanto e humor, o vulgar e o refinado” que caracterizam a obra do autor, produzida “desde quando era um jovem de dezesseis anos até chegar à casa dos oitenta”, e são uma oportunidade para o leitor dar uma rápida piscadela diante do retrato de Franklin (na nota de cem dólares), que o poderá surpreender com um “sorriso zombeteiro”.

Em 1748, aos 42 anos de idade, Benjamin decidiu que era rico o bastante para se aposentar como editor, mas [antes], quando tinha 22 anos e tentava iniciar a vida na Filadélfia, ele redigiu um ‘Auto-epitáfio de um editor’ (p. 107). Segundo Wilson, “era apenas uma contribuição para uma competição em que os membros do clube que ele fundara redigiram epitáfios sério-cômicos para si próprios”. Mas Franklin o incluiu em sua autobiografia, publicada 50 anos depois.


In Como escolher amantes e outros escritos. Apresentação biográfica de R. Jackson Wilson. S. Paulo: EdUnesp, 2006.

terça-feira, 14 de agosto de 2007

Para Leer el XXI, Por el mejoramiento humano

Mais uma razão para ir conhecer a bela Ilha, com seus próprios olhos, críticos ou encantados:

Congreso Internacional Lectura 2007:
Para Leer el XXI, Por el mejoramiento humano

II Taller Internacional IBBY Para los niños trabajamos.

Ciudad de La Habana, Cuba, del 23 al 27 de octubre

Informações (em breve serão atualizadas):
www.congresolectura2007.com

Presidenta Comité Organizador: Emilia Gallego Alfonso

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Luís Antônio Pimentel, o haicai e o filósofo na Bienal do Livro e outras notas

Roberto Kahlmeyer-Mertens, professor de filosofia, escreveu o livro Verdade-Metafísica-Poesia, um ensaio de filosofia sobre os haicais de Luís Antônio Pimentel, que, editado pela Nitpress, será lançado na Bienal do Livro, no dia 22 de setembro próximo (veja abaixo a programação parcial da Ilha "Letras de Niterói"). Nesse mesmo volume está incluída uma entrevista concedida por Pimentel ao autor, da qual podemos oferecer a você alguns excertos, como este:

K-M: O senhor é apontado como um dos responsáveis pela recepção do gênero haicai no Brasil, ao lado de Olga Savary, Helena Kolody e, mesmo, o Guilherme de Almeida, um pouco antes. Como foi seu primeiro contato com a poesia haicai?

LAP: Eu gostaria de registrar isso, pois há uma imprecisão aí. Alguns dizem que a primeira notícia que se tem do haicai no Brasil é dada no livro Miçangas de Afrânio Peixoto. Bom, tenho o livro e vou trazer para você ver... nem de longe se fala de haicai, tampouco de poesia japonesa. A primeira vez que tive contato com haicai eu tinha 14 ou 15 anos, foi na primeira edição em língua portuguesa de O tesouro da juventude. Se você tiver chance de consultar esta edição verá lá haicais traduzidos por Manuel Bandeira, mas todos com “pé quebrado”... Ali, Bandeira mostrava o haicai mas não explicava o que era, apenas apresentava e não havia um estudo sobre ele. Daí, quando fui para o Japão, com meus vinte e cinco anos (dez anos depois daquele primeiro contato) tive a sorte de conhecer um grande poeta japonês que tinha estado no Brasil com o pai, que era Chargé d’affaires. (Na época em que nosso país ainda não tinha representante diplomático, esse cargo seria o de um “encarregado de negócios”, como se fosse um Cônsul). Seu nome era Horiguchi Daigako (que significa “Grande escola”, “Universidade” em japonês) e, conversando, ele me mostrou, explicou o que era o haicai. Eu disse que não saberia fazer haicais, pois as palavras japonesas eram pequenas, quase monossilábicas como as do chinês. Daí, ele interessado em me ensinar, disse: “ ―Pimentel, como você tem coragem de me dizer isso?! Veja só na minha língua a palavra eu: watakushi (4 sílabas); a palavra. você: wanatá (3 sílabas). É uma língua em que existe sinônimo para pronomes, e pronomes de tratamento cada um para um caso específico. Então, não me venha falar em dificuldade”. Foi com ele que eu aprendi um pouco sobre a história do haicai, suas normas... foi com ele que eu soube que havia os mestres do haicai e com ele conheci a obra de Bashô. (Eu algum dia ainda vou escrever a biografia do Bashô, com os detalhes da vida dele que foi um sujeito extraordinário).

Para ler mais alguns excertos deste "Diálogo com Pimentel", acesse:
http://groups.google.com.br/group/luis-antonio-pimentel?hl=pt-BR

Convidamos você, rara ou raro leitor, a visitar a Ilha "Letras de Niterói", que pela primeira vez se formará na XIII Bienal do Livro, de 13 a 23 de setembro, no Riocentro, e a participar de suas atividades:

Programação parcial:
Sábado, 15 de setembro:
10/12h:
Lançamento do livro Fluminenses - Antologia contemporânea, volume 1, uma co-edição da Nitpress com a Academia Fluminense de Letras e com o Cenáculo Fluminense de História e
Letras.
Mesa-redonda: Literatura fluminense contemporânea, com Edmo Lutterbach, Márcia Pessanha e Carlos Mônaco.

Sábado, 22 de setembro:
10-12h:
Lançamento do livro Verdade-Metafísica-Poesia - Um ensaio de filosofia a partir dos haicais de Luís Antônio Pimentel, de Roberto Kahlmeyer-Mertens, edição da Nitpress;
Mesa-redonda: Haicais de Luís Antônio Pimentel, com Roberto Kahlmeyer-Mertens, Aníbal Bragança, Marco
Lucchesi e o próprio Luís Antônio Pimentel.
12:10 – Autógrafos de Minidicionário anticonvencional, de Sandro Pereira Rebel
13:00 – Autógrafos de A profissão do poeta & Carta aos livreiros do Brasil, organizado por Aníbal Bragança e Maria Lizete dos Santos, edição da Imprensa Oficial/RJ.

Mais informações:
http://nitpress.tripod.com/
http://www.culturaniteroi.com.br/
http://www.bienaldolivro.com.br/

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Mário de Andrade, Manuel Bandeira e a Pasárgada

S. Paulo, 27-XII-29

Manú,
bom-dia. Outro dia principiou me inquietando a sorte que você deu pro seu livro novo de poesia. (...) Que fim levou? Desistiu por agora?

Comigo sucedeu uma coisa engraçada, faz uns dois meses. Passei a limpo os contos do “Belazarte”, levei pro impressor, combinei preço, tudo, dei ordem pra se imprimir. Cheguei em casa me bateu uma tal descoragem de publicar livro agora! É estúpido a gente estar imaginando em literatura numa época destas em que nem se sabe o Brasil em que irá dar. Crise, inda por cima, e a gente criando “luxo”. Achei que era besteira publicar e no dia seguinte retirei os originais da tipografia. Tem momentos porém em que me volta vontade de publicar já a coisa. Isto vai numa palhaçada tamanha que o milhor é a gente não se importar mesmo, ir embora pra Passárgada! (...)
*

S. Paulo, 25-V-30.

Manú,

Recebi o seu livro hoje e foi um alegrão. (...) Fiquei infinitamente grato a você pela lembrança de mandar dois exemplares. Uma das minhas atuais derivações da sexualidade é a bibliofilia, e exemplar com dedicatória, de sujeito de valor, guardo sem cortar, como mandam as manias de agora.

E, por voltar ao seu livro, uma coisa quero desde logo dizer: você teve a força de conseguir finalmente o que mais desejou na sua poesia, e isso deve ser infinitamente agradavel prum artista, imagino...

Atingiu um depuramento que me parece impossível ser mais. Seu livro é alma e alma só. Não posso me resolver a chamar isso de poesia. Mas nomes e concepções estéticas não tem importância nenhuma, diante da verdade e me parece absolutamente certo que jamais você foi tão exclusivamente você como no lirismo absoluto de Libertinagem.

Um grande abraço por essa vitória.

Quanto a mandar o livro pra expor nas livrarias, está claro que estou inteiramente ás ordens. (...)


**
Vou-me embora pra Pasárgada
Manuel Bandeira
(do livro Libertinagem)

Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na casa que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive

E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d’água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada

Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar

E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
- Lá sou amigo do rei -
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.
*

"Biografia de Pasárgada"
Manuel Bandeira

Quando eu tinha os meus quinze anos e traduzia na classe de grego do Pedro II a Ciropedia fiquei encantado com esse nome de uma cidadezinha fundada por Ciro, o Antigo, nas montanhas do sul da Pérsia, para lá passar os verões. A minha imaginação de adolescente começou a trabalhar e eu vi Pasárgada e vivi durante alguns anos em Pasárgada.

Mais de vinte anos depois, num momento de profundo cafard e desânimo, saltou-me do subsconsciente este grito de evasão: “Vou-me embora pra Pasárgada!”. Imediatamente senti que era a célula de um poema. Peguei do lápis e do papel, mas o poema não veio. Não pensei mais nisso. Uns cinco anos mais tarde, o mesmo grito de evasão nas mesmas circunstâncias. Desta vez o poema saiu quase ao correr da pena. Se há belezas em “Vou-me embora pra Pasárgada”, elas não passam de acidentes. Não construí o poema, ele construiu-se em mim nos recessos do subconsciente, utilizando as reminiscências da infância – as história que Rosa, a minha ama-seca mulata, me contava, o sonho jamais realizado de uma bicicleta etc. O quase inválido que eu era ainda por volta de 1926 imaginava em Pasárgada o exercício de todas as atividades que a doença me impedia.

“E como eu farei ginástica... tomarei banhos de mar!” A esse aspecto Pasárgada é “toda a vida que podia ter sido e que não foi”.


Mário de Andrade. Cartas a Manuel Bandeira. Prefácio e notas de Manuel Bandeira, Rio de Janeiro: Tecnoprint (Edições de Ouro), 1967, p. 293 e 301-305.

Manuel Bandeira. Poesia completa e prosa. 2a. ed. Rio de Janeiro: José Aguilar, 1967 (Comemorativa do 80º aniversário do poeta), p. 31, 264-265. O livro Libertinagem, com poemas escritos entre 1924 e 1930, foi publicado, em 1930, em edição de 500 exemplares, custeada pelo poeta. Ocupa as páginas 237-266 do belo e pequeno volume da Aguilar, em papel tipo arroz. É acompanhado, nesta edição, de uma “nota preliminar” de Mário de Andrade,

Estes excertos, rara ou raro leitor, apontam para as dificuldades de publicação de dois livros, Contos de Belazarte, de Mário, e Libertinagem, de Bandeira, que se tornaram clássicos da literatura brasileira modernista. E também as incertezas que, na época, cercaram os seus autores quanto ao futuro de suas obras. A faceta de bibliófilo de Mário de Andrade é aqui apenas vislumbrada. Voltaremos a ela.
*
Em 1975, um livreiro de Niterói, então com 30 anos, recém-separado, com 3 filhas, tendo ficado nu (como o personagem de Encontro Marcado, de Fernando Sabino), resolveu, com muita determinação e nenhum dinheiro, criar uma nova livraria, a primeira de Icaraí

(obrigado, Bernardo Ferreiro e aos amigos que a ajudaram a construir, desinteressadamente).
Seu nome ficou na história das livrarias brasileiras e da vida cultural de Niterói. Este neoblogueiro, o livreiro, vivendo o sonho de Manuel, deu-lhe o nome Pasárgada... e lá foi muito feliz, enquanto ela durou. 13 anos depois fechou as portas. Os sonhos não morrem.

Você, rara ou raro leitor, conheceu Pasárgada? Qual?

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

1ª Antologia Alma de Poeta, organizada por Luiz Fernando Prôa

Em comemoração aos 7 anos do sítio virtual Alma de Poeta.
Para participar, acesse o linque abaixo, conheça as regras e saiba quais são os poetas já confirmados.
http://www.almadepoeta.com/antologiaalmadepoeta.htm

Aproveite, rara ou raro leitor, para conhecer todos os poetas que vivem no sítio de Luiz Fernando Prôa, mas não deixem de fazer uma visita especial aos Poetas Imortais.

Quais são as 7 maravilhas do Rio?

Outro concurso sobre 7 maravilhas! Depois da eleição do Cristo Redentor como uma das 7 novas maravilhas do mundo, fica-se animado! Este agora é para escolher as maravilhas do Estado do Rio. Já houve uma pré-seleção e foram escolhidas 30 (confesso que é pouco entre tantas que por aqui há) para que sejam indicadas as 7 por votação direta. Dentre as selecionadas estão 2 não tão óbvias, mas que, por razões do coração (existem, sim) achamos que merecem estar entre as 7 finalistas. Uma é de Niterói (adivinhem!), outra é o Real Gabinete Português de Leitura, uma instituição que tem prestado inestimáveis serviços à cultura letrada luso-brasileira, cuja sede tem uma arquitetura notável. Uma das mais belas bibliotecas da lusofonia, ao lado da Joanina, da Universidade de Coimbra, e da nossa Biblioteca Nacional.

Vote no sítio virtual
http://www.7maravilhasdorio.com.br/ .

Mensagem a Pessoa, de Gabriela Mello Barbosa

Não sei precisar quando,
mas garanto que fui eu – engano teu! –
que tais versos escrevi.
Queres a prova, dou-te uma página
em branco (foi-me arrancado do regaço
cada filho que pari)

Felicita-me que alguém,
em outras terras, tenha,
destes versos,
se feito autor.
Que, em algum ponto,
duas almas se assemelhem tanto!,
gêmeas na alegria e na dor

Perdôo-te, Pessoa, portanto,
por teres tomado os meus versos para ti
(não é de hoje que te venho perdoando)
por assinares o que nunca escrevi.

Poema inédito em livro.

Muitas vezes lemos como se nossos fossem, de tão afins, textos que outros escreveram. Textos que muitas vezes gostaríamos de ter escrito. Isso ocorre freqüentemente quando lemos autores geniais, que captam a alma do mundo, como Fernando Pessoa, na nossa língua (e em qualquer) um dos maiores. Mas expressar isso com a beleza e complexidade que tem este Mensagem a Pessoa é privilégio de poetas! E você, rara ou raro leitor, tem algum poema inédito que aborde temas de autoria, intertextualidade e leitura para compartilhar conosco?