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sábado, 20 de fevereiro de 2010

Montaigne (1533-1592), os livros e a leitura

Não busco nos livros senão o prazer de um honesto passatempo; e nesse estudo não me prendo senão ao que possa desenvolver em mim o conhecimento de mim mesmo e me auxilie a viver e morrer bem, “essa meta para onde deve correr o meu corcel” (Propércio).

As dificuldades com que deparo lendo, não me preocupam exageradamente; deixo-as de lado, após tentar resolve-las uma ou duas vezes. Se me detivesse nelas, perder-me-ia e perderia meu tempo, pois meu espírito é de tal índole que o que não percebe de imediato menos entende em se obstinando. Não sou capaz de nada que não me dê prazer ou que exija esforço, e atardar-me demasiado em um assunto, ou nele me concentrar demoradamente, perturba minha inteligência, cansa-a e me entristece. (...)

Se um livro me entedia, pego outro e só me dedico à leitura quando não sei que fazer: e o enfado me domina. Quase não leio livros novos: prefiro os antigos que me parecem mais sérios e bem feitos; (...)

A fim de remediar um pouco as traições de minha memória, tão fraca que me aconteceu mais de uma vez voltar, como se não os conhecesse, a livros lidos anos antes com atenção e anotando, habituei-me de uns tempos para cá a escrever, no fim dos volumes que não pretendo tornar a consultar, a data do término da leitura, e, em grandes caracteres, a impressão sentida, ao menos para ter a qualquer momento uma ideia geral do que li. (...)

Montaigne, Michel de “Dos livros”, in Ensaios. Trad. de Sérgio Milliet. São Paulo: Abril Cultural, 1972, p. 196-201.

A obra Ensaios foi publicada inteira, em 3 volumes, postumamente, em 1595, mas em 1580 saíram em Paris os dois primeiros livros, embora o autor tenha afirmado que os escrevera ‘para si mesmo’, sem pensar na posteridade. Desde então influenciou grandes pensadores e tem sido objeto de inúmeros estudos e leituras.

Você, raro leitor, rara leitora, busca na leitura, como Montaigne, principalmente, o autoconhecimento? É partidário(a) do estudo árduo e perseverante ou prefere buscar o prazer nas obras que lê?  Se tem, como enfrenta as dificuldades de leitura de uma obra? Já começou a ler algum livro porque esqueceu que o havia lido?


quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Brasileiros entre 15 e 64 anos: só 25% são plenamente alfabetizados!

O título poderia ser: caiu o índice de ‘analfabetos funcionais’, já que pesquisa recente mostrou que houve redução do número de brasileiros nessa condição, de 34%, em 2007, para 28%, em 2008. Destes, 9% não conseguem ler qualquer escrito, os demais têm o chamado ‘alfabetismo rudimentar’.


Já o percentual dos que dominam apenas o ‘alfabetismo básico’ é de 47%. Somados aos brasileiros considerados ‘analfabetos funcionais’ chega-se aos 75% da população que certamente não conseguem ler um livro e compreender um texto complexo.


Os resultados do Indicador Nacional de Analfabetismo Funcional (Inaf), elaborado pelo Instituto Paulo Montenegro, alertam para o quanto é necessário investir em educação e em políticas públicas para redução das desigualdades sociais (rompendo com a política de concentração de renda praticada pelos diferentes governos há décadas) para que o povo brasileiro tenha mais oportunidades de melhorar sua qualidade de vida e de participar da riqueza material e simbólica do país.


Para conhecer saber mais sobre a pesquisa e todos os resultados acesse a página:
 http://www.ipm.org.br/ipmb_pagina.php?mpg=4.03.00.00.00&ver=por

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Sandra Medeiros: Célula tipográfica e epitáfio para Tide Hellmeister


Sobre a Célula Tipográfica:

Há 5 anos, pesquisadores, tipógrafos e estudantes, reunidos na Célula Tipográfica, movimentam Vitória e o Centro de Artes da Universidade Federal do Espírito Santo.(...)

A denominação escolhida, Célula Tipográfica, levou em consideração a concepção do núcleo como uma pequena unidade estrutural e funcional reunindo pessoas com os mesmos ideais de prática e pesquisa, principalmente em torno da menor unidade da palavra, a letra, na sua forma caligráfica, sólida (os tipos móveis) e digital.

A partir da prática caligráfica e com vistas à futura construção de fontes, a Célula tem promovido workshops de caligrafia ocidental e oriental, a produção de cartões-postais e o desenvolvimento de projetos maiores como as coleções Tipografia de Bolso e Amostra Grátis. (...)

Leia o texto completo de Sandra Medeiros sobre a Célula Tipográfica nos arquivos do e-grupo Cultura Letrada:
http://groups.google.com/group/cultura-letrada/files?hl=pt-BR

*

O velho Tide (o jornalismo perde um mestre)

Fiquei sabendo, tardiamente, que o artista gráfico Tide Hellmeister não resistiu a um enfisema e a uma cirurgia no coração e deixou a nossa convivência no último dia 31 [de dezembro]. Não é mais notícia, mas o fato tem alcance, afeta o jornalismo, as artes gráficas, o design, a arte: ficou um espaço que não se preenche. Perdemos um profissional dos mais sérios, criativos, realizadores. Não são poucos os projetos pioneiros de Tide e aqueles que conhecem a sua história sabem disso: de autor do importante Técnica Tipográfica à coluna Significado do significado (no Diário Popular) Tide fez de tudo e um pouco mais. Querido e admirado no meio editorial e gráfico, ele foi um dos criadores da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, a notória ECA-USP; da Cásper Líbero; da Escola Superior de Propaganda e Marketing. (...)

Leia o texto completo do belo epitáfio escrito por Sandra Medeiros nos arquivos do e-grupo Cultura Letrada:
http://groups.google.com/group/cultura-letrada/files?hl=pt-BR

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Raro leitor, em tempo de preparativos do II Seminário Brasileiro Livro e História Editorial, que se realizará de 11 a 15 de maio próximo, recebi dois textos da professora e designer Sandra Medeiros, da Universidade Federal do Espírito Santos, querida amiga, que me permitiu oferecê-los também a você. Espero que os aproveite.

Conheça mais de Sandra Medeiros em LetraG http://es.letrag.com/blogosfera.php?id=82

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Mitos e falácias sobre a leitura no Brasil


Entrevista com Aníbal Bragança
Ana Elisa Ribeiro


Viva Voz: É verdade que o brasileiro não lê?

Aníbal Bragança: Afirmações genéricas sempre levam ao
erro. Não são todos os brasileiros que não lêem, mas também
não são todos os franceses que lêem. A diferença é que
percentualmente muito mais franceses gostam de ler do que
brasileiros. E por quê? A primeira razão é que a maioria dos
brasileiros não sabe ler. Cerca de 75% não estão plenamente
alfabetizados e têm dificuldade de compreender textos,
especialmente os que têm alguma complexidade. E assim a
leitura não é prazerosa, o que leva ao desinteresse. Mas o
tema é muito complexo e tem a ver com outras variáveis:
tardia implantação das práticas de cultura letrada no país,
grande riqueza cultural nas práticas da oralidade, ignominiosa
desigualdade social, baixíssima valorização do trabalho, o que
leva as pessoas a trabalharem demais para sobreviver,
impedindo que haja tempo para um lazer variado e rico, etc.


VV: O que são as leituras "ideais"?

AB: Creio que uma resposta possível seja: as que são
prazerosas para o leitor e as que o enriquecem. Para o autor
são aquelas que mostram que as sementes lançadas
germinaram no espírito do leitor.


VV: Que relação existe ou deveria existir entre a escola
e a formação de leitores?

AB: A escola deve ampliar o repertório cultural do aluno e,
não, formatá-lo. Assim, uma das experiências que a escola
deverá propiciar aos alunos é a do prazer da leitura, que só se
consegue aprendendo a ler, e isto, só praticando a leitura.
Para isso é necessário que o professor seja leitor. E a maioria
dos professores se inclui entre os que não podem ler ou não
são atraídos pelas práticas de leitura. O que torna um
fracasso também nesta área a atuação da escola brasileira.
Mas, felizmente, existem exceções que confirmam a regra.


Estas são, rara leitora, algumas das perguntas e respostas da entrevista concedida a Ana Elisa Ribeiro publicada no caderno Viva Voz – Conversas com editores, da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais (FALE-UFMG), organizado por Ana Elisa Ribeiro e Carla Viana Coscarelli, em 2007.

Para ler a íntegra da entrevista clique:
http://cultura-letrada.googlegroups.com/web/Anibal+Bragan%C3%A7a+Entrevista+concedida+a+Ana+Elisa+Ribeiro.pdf?gda=KvHVwXMAAADb6glB4DZg5YMQmMJOrJeFlbjfn1_9q3NpFWX79l20bvMdd4VEW7SuVPUzbQctQmGeH9u07QeK5PTZk_tCwDiVlkq1S9kKvTDEHXCRzdlz9sQ_qiURPYqkUWmLZDqR7GcytiJ-HdGYYcPi_09pl8N7FWLveOaWjzbYnpnkpmxcWg

ou acesse Arquivos do E-Grupo Cultura Letrada:
http://groups.google.com/group/cultura-letrada

Para ler a íntegra do caderno Viva Voz – Conversas com editores, acesse:
http://www.letras.ufmg.br/site/publicacoes/download/conversaseditores.pdf

Sumário:

Apresentação . 5
Ana Elisa Ribeiro
Carla Viana Coscarelli

Mitos e falácias sobre a leitura no Brasil . 7
Entrevista com Aníbal Bragança

Produção de livros e tino comercial . 14
Entrevista com Raquel T. Yehezkel

A Autêntica Editora e a produção de livros . 21
Entrevista com Rejane Dias dos Santos

O bom revisor de textos . 27
Entrevista com Plínio Martins Filho

Editores e escritores . 30
Bate-papo com vários editores

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Deonísio da Silva: Doutores sem livros

Há vários lustros, para não dizer décadas, o livro vem deixando de ser referência solar nas universidades. Dois problemas se agigantam: os acervos das bibliotecas estão desatualizados e os autores são esquartejados, incessantemente em máquinas que copiam fragmentos esparsos que os alunos lêem apenas para atender a chamada bibliografia mínima indicada pelos professores.

Ilhas de exceção, denominados centros de excelência em classificação oficial, compoõem um vasto arquipélago, entretanto ainda sem a influência que dele se espera nesta fase de reorganização que o Brasil vive, assolado por tantas reformas.

Refletia sobre o tema quando recebi pela internet um sinal dos tempos. Poemas de alta qualidade, selecionados do que de melhor os poetas escreveram, recitandos sob fundo musical dos mais apropriados. A internet está oferecendo caminhos novos para o livro. (Um deles:
www.plataforma.paraapoesia.nom.br).

Logo na abertura do portal, talvez porque os autores foram postos em ordem alfabética, encontrei estes versos de Alberto Cunha Melo, extraídos de Dois Caminhos e um Oração (editora A Girafa), seu livro mais recente, na voz delicada e bonita de Cláudia Cordeiro Reis: “Escrevemos cada vez mais para um mundo cada vez menos,/para esse público dos ermos, compostos apenas de nós mesmos./uns joões batistas a pregar para as dobras de suas túnicas, seu deserto particular”.

No Brasil, é assim: nem bem você se entristece com um problema, alegra-se em seguida com a possibilidade de solução. Contente por encontrá-la, enfrenta entraves que parecem outras vez instransponíveis. Talvez seja esta uma das causas fundamentais da conhecida oscilação de humor nacional. Não é necessário muito tempo para o brasileiro passar da euforia mais escandalosa à mais desalodora depressão.
(...)

Este é um excerto do artigo de Deonísio da Silva publicado em 3/02/2004 no Jornal do Brasil, p. A9, que reencontro em recorte entre os bons achados da nova tentativa que faço de rearrumar os livros e papéis no meu escritório doméstico, depois da compra de mais uma estante. Pode contribuir, rara leitora, para nossas reflexões recentes sobre escrita, leitura e autores sem livros?

Leia o texto completo em Trilhas Literárias:
http://www.plataforma.paraapoesia.nom.br/tdeo_plata.htm
Onde poderá encontrar informações sobre o professor, ensaísta, romancista e cronista Deonísio Silva, autor de uma obra admirável e palestrante que seduz com sua erudição e bom humor. Dirige o Instituto da Palavra, da Universidade Estácio de Sá (no Rio de Janeiro).

Leia também o que escreveu Deonísio da Silva sobre o livro Crônicas do rádio nos tempos áureos da Mayrink Veiga, de Luís Antônio Pimentel, 2004:
“Era do rádio: a voz dos fantasmas”, publicado no Observatório da Imprensa. Acesse:
http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=295AZL003

sábado, 2 de agosto de 2008

Nicolau Sevcenko, O vampiro de polpa ou confissões de um leitor compulsivo

Eu praticamente nasci no meio dos livros. Desde que me lembro, a vista que se descortinava à frente do meu berço era a de uma estante repleta. Meu avô tinha uma grande coleção de livros, muitos antigos, alguns modernos, quase todos com encadernação costurada e capa dura. Eles compunham uma grnde coleção, que foi se dispersando à medida que seus seis filhos se casavam, levando cada qual um lote de herança. Havia livros nas estantes, em baús e empilhados no porão da casa. Eu e meu irmão costumávamos brincar com eles, construindo castelos e fortes, que acabavam desmoronando no meio das batalhas.

Uma das minhas avós tinha uma outra coleção gigantesca, que se manteve completa por mais tempo e com a qual eu pude conviver em gozo de maior intimidade. Tanto esses como os do meu avô eram livros estranhos, em várias línguas e caracteres exóticos: russos, alemães, ingleses, lituanos, estonianos, poloneses, franceses, italianos, finlandeses, suecos, americanos, cadadenses, argentinos, brasileiros.

Formavam um repertório geográfico que indicava a trajetória errática da minha família de refugiados, morando um pouco em cada canto do mundo e fugindo cada vez que a história, em versões de tragéida, ameçava chegar-lhes outra vez aos calcanhares, ou melhor, aos pescoços. Sempre que partiam, arrastavam seus baús cheios de livros, a cada viagem mais numerosos.

De forma que, seja por força do hábito, pela atração da curiosidade ou por compulsão atávica, acabei desenvolvendo uma fixação descontrolada pelos livros. Não é que eu não consiga dormir sem antes ler, eu não durmo se não houver a imagem de uma estante cheia na minha frente. Em hotéis, uso o truque de pregar um pôster de estante de livros diante da cama.

Leio na sala, na cozinha, no banheiro. Não desgrudo do livro durante as três referições, enquanto escovo os dentes ou quando paro o carro num farol. Me tornei professor não porque li muitos livros, na verdade optei pela profissão sabendo que ela me forçaria a ler mais ainda. Detesto telefone, campainha ou passarinho porque me interrompem a leitura. Meu melhor presente foi quando meu amigo Roney me deu um livro todo plastificado – para que eu pudesse ler no chuveiro.

Não que a leitura seja um prazer! Todo mundo sabe a concentração desgastante e exaustiva que ela exige, proporcionando quanto muito uma satisfação oblíqua, que não contempla jamais as solicitações do corpo. A gratificação dos livros provém sobretudo de um expansão da imaginação e da experiência preciosa de se sentir aprendendo a manejar com autonomia os recursos da linguagem e do pensamento. O que ademais nos liberta das constrições das doutrinas e das idéias feitas, e não é pouco.

É essa sensação extra de liberdade, crescimento e autoconfiança que os livros transmitem, acrescentando cada nova geração com o melhor das experiências das anteriores e difundindo entre os leitores a coesão afetiva de compartilhar um fundo comum de sabedoria, respeito e generosidade.

É por isso, acredito eu, que os livros tendem a se tornar aditivos. A cada um que você lê, deseja outros e mais outros, sempre em doses crescentes em quantidade, concentração e duração do efeito.

Nesse sentido, o livro é, literalmente, uma droga. Benigna contudo, nos melhores casos. Daí a injustiça de se identificar os leitores obsessivos com ratos de biblioteca ou com corujas togadas.


Nem roedores nem rapinantes, os leitores compulsivos ficariam melhor retratados como vampiros de polpa, o que lhes reconheceria um resíduo de humanidade, ainda que sufocada pela maldição que os monstrifica e força a viver no pó e nas trevas, sob um pálido foco de luz. Mas cuidado! Como sua mordida contamina, transmitindo o mal, em caso de ele se aproximar, não hesite em afugentá-lo mostrando dois controles remotos sobrepostos em forma de cruz.
(...)

In revista Livro Aberto, S. Paulo: Editora Cone Sul, ano 1, nº 1, agosto/setembro de 1996, p. 22-23.

Dando continuidade à vã pretensão de resgatar textos importantes que ficaram “depositados” em impressos hoje pouco acessíveis, divulgamos hoje parte deste texto publicado no primeiro número da revista editada por José de Mello Junior, dedicada à 14ª Bienal Internacional do Livro, realizada em S. Paulo, de 13 a 25 de agosto de 1996. A revista, extinta depois de alguns excelentes números, deixou saudade.

A Bienal, entretanto, continua firme e terá sua 20ª edição nos próximos dias 14 a 24 deste mês, agora no Pavilhão de Exposições do Anhembi, na mesma São Paulo, cidade que a viu nascer. A realização é da Câmara Brasileira do Livro
www.cbl.org.br.

Saiba mais:
www.bienaldolivrosp.com.br

Ao trazer à circulação, agora no mundo virtual, este excerto de Nicolau Sevcenko, o que pode ser, creio, considerado um presente para o nosso raro leitor, também o registro é motivado pelo apreço que merece o historiador paulista, professor titular da Universidade de São Paulo, cuja obra é, por todos os sentidos, admirável. Certamento seu livro Literatura como missão. Tensões sociais e criação cultural na Primeira República, centrado na análise da obra e do tempo de Euclydes da Cunha e de Lima Barreto terá sido um dos mais inteligentes e bem escritos livros que tive o privilégio de ler nos últimos anos, ainda na primeira edição, da Brasiliense, de 1983. Sevcenko publicou outros livros, dos quais se devem destacar Orfeu Extático na Metrópole, 1992, Corrida para o século XXI, 2001, História da Vida Privada no Brasil, vol. 3, do qual foi co-organizador. Todos pela Cia. das Letras, que reeditou também o Literatura como missão.

Você, raro leitor, o que acha de ter acesso à segunda parte do texto acima?