Mostrando postagens com marcador alfabetização. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador alfabetização. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Brasileiros entre 15 e 64 anos: só 25% são plenamente alfabetizados!

O título poderia ser: caiu o índice de ‘analfabetos funcionais’, já que pesquisa recente mostrou que houve redução do número de brasileiros nessa condição, de 34%, em 2007, para 28%, em 2008. Destes, 9% não conseguem ler qualquer escrito, os demais têm o chamado ‘alfabetismo rudimentar’.


Já o percentual dos que dominam apenas o ‘alfabetismo básico’ é de 47%. Somados aos brasileiros considerados ‘analfabetos funcionais’ chega-se aos 75% da população que certamente não conseguem ler um livro e compreender um texto complexo.


Os resultados do Indicador Nacional de Analfabetismo Funcional (Inaf), elaborado pelo Instituto Paulo Montenegro, alertam para o quanto é necessário investir em educação e em políticas públicas para redução das desigualdades sociais (rompendo com a política de concentração de renda praticada pelos diferentes governos há décadas) para que o povo brasileiro tenha mais oportunidades de melhorar sua qualidade de vida e de participar da riqueza material e simbólica do país.


Para conhecer saber mais sobre a pesquisa e todos os resultados acesse a página:
 http://www.ipm.org.br/ipmb_pagina.php?mpg=4.03.00.00.00&ver=por

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Segundo Colóquio Internacional sobre Letramento e Cultura Escrita

Estes dias, rara leitora, pude desfrutar do convívio de colegas que, como eu, foram convidados para fazer palestras ou conferências nesse importante Colóquio realizado em Belo Horizonte, na Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG, promovido pelo CEALE/UFMG e Programas de Pós-grduação em Educação da FaE/UFMG, Universidade Federal de São João Del-Rei (UFSJ/MG) e da Universidade Federal Fluminense (UFF), ocorrido entre 11 e 13 de agosto de 2008.

Na primeira mesa-redonda da programação “Alfabetização, tecnologias da comunicação e formação da cultura letrada”, coordenada por Cecília M. A. Goulart, da FE/UFF, fizemos nossa breve palestra sobre Tecnologias da Comunicação e Formação da Cultura Letrada, após Isabel Frade, do CEALE/FaE/UFMG, apresentar os bons resultados de sua pesquisa em andamento sobre alfabetização em Minas Gerais.

Foi um privilégio estar ao lado de importantes pesquisadores da Cultura Escrita no Brasil e no Exterior, como Francisca Maciel, diretora do CEALE, Marildes Marinho, coordenadora geral do Colóquio, Célia Abcalil Belmiro, ambas da UFMG, Maria do Socorro A. N. Macedo (UFSJ), Gunter Kress (Universidade de Londres), Judith Kalman (CINVESTAV/México), Glória H. Flores (UNAM/México), Brian Street (Universidade de Londres), dentre outros.

O enriquecimento acadêmico, de valor inestimável, e o cultivo da fraterna amizade foram marcas desses dias que me afastaram deste convívio virtual, que retomo agora, agradecendo os últimos comentários que contribuem sempre para dar sentido às postagens aqui lançadas em busca do raro leitor, amigo em leituras, livros, escrituras, sebos e outras livrarias, editoras, bibliotecas...


Para saber mais sobre o CEALE, acesse:
www.fae.ufmg.br/ceale

quinta-feira, 17 de maio de 2007

Granada la bella, de Angel Ganivet



En el comienzo de este siglo, España ha atravesado días muy duros; ha tenido que hacer frente a una invasión y los que dieron la cara no fueron en verdad los doctos. Esos pasaron todos el sarampión napoleónico, y en nombre de las ideas nuevas se hubieran dejado rapar como quintos e imponer el imperial uniforme. Los que salvaran a España fueron los ignorantes, los que no sabían leer ni escribir. ¿Quién dio pruebas de mayor robustez cerebral: el que, seducido por ideas brillantes, aún no digeridas, sintió vacilar su fe en su nación, y se dejó invadir por la epidemia que entonces reinaba en toda Europa, o el que con cuatro ideas recibidas por tradición supo mantener su personalidad bien definida ante un Poder tan absorbente y formidable?

Sabedlo, pues, pedagogos de tres al cuarto, propagandistas de la instrucción gratuita obligatoria: Jeremias de la estadística, que os sofocáis cuando veis en ella que el cincuenta por ciento de los españoles no saben leer ni escribir y pretendéis infundirles conocimientos artifíciales por medio de caprichosos sistemas: el único papel decoroso que España ha representado en la política de Europa en lo que va de siglo no lo habéis representado vosotros o vuestros precursores, sino que lo ha representado ese pueblo ignorante que un artista tan ignorante y genial como él, Goya, ha simbolizado en el cuadro El Dos de Mayo, en aquel hombre o fiera que, con los brazos abiertos, el pecho salido, desafiando con los ojos, ruge delante de las balas que le asesinan.
(p. 60s)
O excerto que oferecemos a você, rara e raro leitor, é do livro Granada la bella, de Angel Ganivet (1865-1898), escritor e pensador espanhol, granadino, que se constitui de doze cartas enviadas, no período de 14 a 27 de fevereiro de 1896, de Helsinki (Finlândia), onde servia como cônsul da Espanha, para serem publicadas em série num jornal de Granada, e que posteriormente foram editadas em volume. As interessantíssimas cartas têm os seguintes títulos: Puntos de vista; Lo viejo y lo nuevo; !Agua!; Luz y sombra; No hay que ensancharse; Nuestro carácter; Nuestro arte; Qué somos?; Parrafada filosófica ante una estación de ferrocarril; El constructor espiritual; Monumentos; e, Lo eterno femenino. Além de nos remeter historicamente ao século XIX espanhol e europeu, expressam, a partir de uma relação amorosa com sua cidade natal, um autor com um pensamento singular e bem humorado sobre o que é viver em cidades e seus desafios numa época de grandes transformações na vida urbana, educacionais, culturais, econômicas, sociais e tecnológicas.
No trecho selecionado parecem-nos relevantes as referências que faz o autor:
a) às invasões napoleônicas na Espanha e como se comportou diante delas a aristocracia do país - pelo que possa haver de paralelo ou não com a vinda da Família Real para o Brasil devido às mesmas invasões - e
b) à alfabetização popular que pretendia, segundo Ganivet, infundir no povo "conocimientos artificiales"! Parece-nos uma forma particular e sábia de perceber o quanto o sistema público de ensino iria, então, solapar os saberes das culturas tradicionais populares de Espanha e os substituir por tais saberes artificiais. Como ocorreu em todos os países.
O que acha disso, rara ou raro leitor?

Registramos, ainda que quase toda a obra publicada de Angel Ganivet foi lançada entre 1896 e 1898, ano em que o autor se suicidou, aos 33 anos de idade. Segundo se afirma em nota editorial , por loucura, e talvez, por amor.

A edição de Granada la bella que utilizamos, tem o formato de 8cmx6cm, em papel-bíblia, com 25 ilustrações e 303 p., e foi publicada pela Aguilar, de Madrid, na coleção Crisol, v. 18, para ser distribuída como “felicitación de Navidad y Año Nuevo a todos nuestros amigos”, em 1962.

Outras informações sobre Angel Ganivet e sua obra: