Leitura
Linhas escritas:
fios de alta-tensão,
repouso de passarinho.
Cortante
Pa – la – vra
Vra – vra –vra
Era vidro mastigado puro
Doía. Ainda dói quando lembro.
Amor ferido sangrado
Solidão. Escuro. Quietude.
E aquele frio
O corte
A cicatriz
Di – la – ce – ra – ção.
Fragmentos
Palavras vras – vras – vras.
Vidro moído.
Sucata para fazer pipa
As palavras trituradas em vidro
colei-as uma a uma
E do gume de estiletes
aprontei fina envergadura
de cruz e sustentação
para o meu papel de seda.
Requinte
Eu quero a elegância
da palavra “aspargo”
e uma mesa ornada
lírios brancos
hastes túrgidas
candelabros
linho fino.
In Fio de prumo. Rio de Janeiro: 7letras, 2006.
www.7letras.com.br
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terça-feira, 24 de abril de 2007
quinta-feira, 29 de março de 2007
O Silêncio, de Arnaldo Antunes
antes de existir computador existia tevê
antes de existir tevê existia luz elétrica
antes de existir luz elétrica existia bicicleta
antes de existir bicicleta existia enciclopédia
antes de existir enciclopédia existia alfabeto
antes de existir alfabeto existia a voz
antes de existir a voz existia o silêncio
o silêncio
foi a primeira coisa que existiu
um silêncio que ninguém ouviu
astro pelo céu em movimento
e o som do gelo derretendo
o barulho do cabelo em crescimento
e a música do vento
e a matéria em decomposição
a barriga digerindo o pão
explosão de semente sob o chão
diamante nascendo do carvão
homem pedra planta bicho flor
luz elétrica tevê computador
batedeira, liquidificador
vamos ouvir esse silêncio meu amor
amplificado no amplificador
do estetoscópio do doutor
no lado esquerdo do peito, esse tambor
Composição: Carlinhos Brown e Arnaldo Antunes, do disco "O essencial de Arnaldo Antunes", da BMG, 1999.
Arnaldo Antunes lembra-nos ser o silêncio forma primordial na história da comunicação. Talvez, desde sempre, seja assim que estabelecemos os contatos mais profundos e intensos em nossas vidas, a comunhão.
antes de existir tevê existia luz elétrica
antes de existir luz elétrica existia bicicleta
antes de existir bicicleta existia enciclopédia
antes de existir enciclopédia existia alfabeto
antes de existir alfabeto existia a voz
antes de existir a voz existia o silêncio
o silêncio
foi a primeira coisa que existiu
um silêncio que ninguém ouviu
astro pelo céu em movimento
e o som do gelo derretendo
o barulho do cabelo em crescimento
e a música do vento
e a matéria em decomposição
a barriga digerindo o pão
explosão de semente sob o chão
diamante nascendo do carvão
homem pedra planta bicho flor
luz elétrica tevê computador
batedeira, liquidificador
vamos ouvir esse silêncio meu amor
amplificado no amplificador
do estetoscópio do doutor
no lado esquerdo do peito, esse tambor
Composição: Carlinhos Brown e Arnaldo Antunes, do disco "O essencial de Arnaldo Antunes", da BMG, 1999.
Arnaldo Antunes lembra-nos ser o silêncio forma primordial na história da comunicação. Talvez, desde sempre, seja assim que estabelecemos os contatos mais profundos e intensos em nossas vidas, a comunhão.
segunda-feira, 26 de março de 2007
A palavra, de Carlos Drummond de Andrade
Já não quero dicionários
consultados em vão.
Quero só a palavra
que nunca estará neles
nem se pode inventar.
Que resumiria o mundo
e o substituiria.
Mais sol do que o sol,
dentro da qual vivêssemos
todos em comunhão,
mudos,
saboreando-a.
In cartaz da Exposição Comemorativa dos 80 Anos de Carlos Drummond de Andrade.
Biblioteca Nacional – Rio de Janeiro – Brasil, 1982.
consultados em vão.
Quero só a palavra
que nunca estará neles
nem se pode inventar.
Que resumiria o mundo
e o substituiria.
Mais sol do que o sol,
dentro da qual vivêssemos
todos em comunhão,
mudos,
saboreando-a.
In cartaz da Exposição Comemorativa dos 80 Anos de Carlos Drummond de Andrade.
Biblioteca Nacional – Rio de Janeiro – Brasil, 1982.
terça-feira, 20 de março de 2007
Livros, de Hermann Hesse
Todos os livros de mundo
felicidade alguma hão de trazer-te,
pois te remetem misteriosamente
em retorno a ti mesmo.
Aqui tens tudo de que necessitas:
sol, estrelas e lua
– pois a luz que querias
em ti mesmo reside.
Sabedoria, que tanto buscavas
em bibliotecas,
em cada uma destas folhas brilha agora:
e é tua, toda.
In Antares, Antologia poética. Trad. de Geir Campos. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1976, p. 111.
Você concorda? Os livros de Hermann Hesse, lidos especialmente na minha juventude, foram experiências interiores inesquecíveis (além de estéticas, claro). Apenas porque me mostraram o que estava dentro de mim, leitor? Ou porque me permitiram vivenciar e compartilhar as experiências narradas pelas personagens criadas pelo autor - nascidas das suas vivências?
"Os livros não transformam o mundo. Os livros só transformam as pessoas. As pessoas é que transformam o mundo" era o mote (versos de Mário Quintana?) da Editora Brasiliense, de Caio Graco Prado.
Será isso?
felicidade alguma hão de trazer-te,
pois te remetem misteriosamente
em retorno a ti mesmo.
Aqui tens tudo de que necessitas:
sol, estrelas e lua
– pois a luz que querias
em ti mesmo reside.
Sabedoria, que tanto buscavas
em bibliotecas,
em cada uma destas folhas brilha agora:
e é tua, toda.
In Antares, Antologia poética. Trad. de Geir Campos. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1976, p. 111.
Você concorda? Os livros de Hermann Hesse, lidos especialmente na minha juventude, foram experiências interiores inesquecíveis (além de estéticas, claro). Apenas porque me mostraram o que estava dentro de mim, leitor? Ou porque me permitiram vivenciar e compartilhar as experiências narradas pelas personagens criadas pelo autor - nascidas das suas vivências?
"Os livros não transformam o mundo. Os livros só transformam as pessoas. As pessoas é que transformam o mundo" era o mote (versos de Mário Quintana?) da Editora Brasiliense, de Caio Graco Prado.
Será isso?
quarta-feira, 14 de março de 2007
Hoje, Dia Nacional da Poesia, você sabia?
Brasil comemora Dia Nacional da Poesia nesta quarta
O Brasil comemora nesta quarta-feira, 14 de março, o Dia Nacional da Poesia, que propositalmente coincide com a comemoração do nascimento do escritor baiano Castro Alves (1847-1871), um dos principais poetas do Romantismo.
Entre os conhecidos trabalhos de Castro Alves estão "Espumas Flutuantes" e "Navio Negreiro", que representam suas principais temáticas: o amor e a luta por justiça e liberdade. Defensor da sociedade abolicionista, ele também era conhecido como o poeta dos escravos. Justamente por conta dos ideais do escritor, que morreu com apenas 24 anos, o Brasil elegeu seu aniversário para comemorar a poesia. Quando surgiu, a apresentação dos textos era acompanhada por um instrumento musical chamado lira, por isso a inclusão da poesia no chamado gênero lírico, independentemente do texto retratar tragédias. Mas se geralmente --mais ainda antigamente-- a expressão "poesia" se aplicava à estrutura de texto em versos, com ritmo específico, divisão em estrofes e rima, desde o modernismo ela ganhou novos contornos e subtítulos, como a chamada poesia concreta.
Fonte: Folha de São Paulo, 14/3/2007 Folha Online http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u69278.shtml
O Brasil comemora nesta quarta-feira, 14 de março, o Dia Nacional da Poesia, que propositalmente coincide com a comemoração do nascimento do escritor baiano Castro Alves (1847-1871), um dos principais poetas do Romantismo.
Entre os conhecidos trabalhos de Castro Alves estão "Espumas Flutuantes" e "Navio Negreiro", que representam suas principais temáticas: o amor e a luta por justiça e liberdade. Defensor da sociedade abolicionista, ele também era conhecido como o poeta dos escravos. Justamente por conta dos ideais do escritor, que morreu com apenas 24 anos, o Brasil elegeu seu aniversário para comemorar a poesia. Quando surgiu, a apresentação dos textos era acompanhada por um instrumento musical chamado lira, por isso a inclusão da poesia no chamado gênero lírico, independentemente do texto retratar tragédias. Mas se geralmente --mais ainda antigamente-- a expressão "poesia" se aplicava à estrutura de texto em versos, com ritmo específico, divisão em estrofes e rima, desde o modernismo ela ganhou novos contornos e subtítulos, como a chamada poesia concreta.
Fonte: Folha de São Paulo, 14/3/2007 Folha Online http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u69278.shtml
Castro Alves, hoje, 160 anos de nascimento (14/3/1847-6/7/1871)
O livro e a América
...................................
Por uma fatalidade
Dessas que descem de além,
O séc’lo, que viu Colombo,
Viu Gutenberg também.
Quando no tosco estaleiro
Da Alemanha o velho obreiro
A ave da imprensa gerou...
O Genovês salta os mares...
Busca um ninho entre os palmares
E a pátria da imprensa achou...
Por isso na impaciência
Desta sede de saber,
Como as aves do deserto –
As almas buscam beber...
Oh! bendito o que semeia
Livros... livros à mão-cheia...
E manda o povo pensar!
O livro caindo n’alma
É gérmen – que faz a palma,
É chuva – que faz o mar.
Vós, que o templo das idéias
Largo – abris às multidões,
Pra o batismo luminoso
Das grandes revoluções.
Agora que o trem de ferro
Acorda o tigre no cerro
E espanta os caboclos nus,
Fazei desse “rei dos ventos”
– Ginete dos pensamentos.
– Arauto da grande luz!...
..............................................
Fragmento de Espumas flutuantes [1870]
_____________
Indagações:
Entre as esperanças de uma época, do canto de Castro Alves, e o momento atual de Henrique Chaudon, de retorno à sabedoria da natureza e a um amor silencioso e terno pelos livros, que se passou?
Por que o trem de ferro – “que espanta os caboclos nus” – não foi acompanhado pelo “ginete dos pensamentos”, "arauto da grande luz"? Ou foi?
...................................
Por uma fatalidade
Dessas que descem de além,
O séc’lo, que viu Colombo,
Viu Gutenberg também.
Quando no tosco estaleiro
Da Alemanha o velho obreiro
A ave da imprensa gerou...
O Genovês salta os mares...
Busca um ninho entre os palmares
E a pátria da imprensa achou...
Por isso na impaciência
Desta sede de saber,
Como as aves do deserto –
As almas buscam beber...
Oh! bendito o que semeia
Livros... livros à mão-cheia...
E manda o povo pensar!
O livro caindo n’alma
É gérmen – que faz a palma,
É chuva – que faz o mar.
Vós, que o templo das idéias
Largo – abris às multidões,
Pra o batismo luminoso
Das grandes revoluções.
Agora que o trem de ferro
Acorda o tigre no cerro
E espanta os caboclos nus,
Fazei desse “rei dos ventos”
– Ginete dos pensamentos.
– Arauto da grande luz!...
..............................................
Fragmento de Espumas flutuantes [1870]
_____________
Indagações:
Entre as esperanças de uma época, do canto de Castro Alves, e o momento atual de Henrique Chaudon, de retorno à sabedoria da natureza e a um amor silencioso e terno pelos livros, que se passou?
Por que o trem de ferro – “que espanta os caboclos nus” – não foi acompanhado pelo “ginete dos pensamentos”, "arauto da grande luz"? Ou foi?
Poemas, de Henrique Augusto Chaudon
Noturno
A noite é silenciosa.
Um gesto
a quebraria em mil pedaços.
Talvez um grito
Não a estilhaçasse tal um gesto.
É hora de ficar parado
sentado imovelmente na cadeira.
Vejo a noite em meu redor:
Desgasta a pedra, os campos,
meus cabelos, tudo quanto toco.
Não me esforçarei agora.
Sentado aqui nesta cadeira
ouvirei seu falar mudo e convincente:
ensina mais que os longes todos,
mais que os alfarrábios.
Mais,
muito mais.
Encontros
De minha estante
um a um
convoco mortos que ainda falam.
Outras vozes
há muito caladas
no vinil vão acordando.
Recostado na poltrona amiga
reverente
ergo o meu vinho:
o mesmo velho sol aquece a sala.
Fidelidade
(para um amante de livros)
Amoroso
pleno de prazer
visitas os teus velhos livros.
De dorso em dorso passeias
e relembras.
Teus longos dedos
trêmulos de pudor e de desejo
mal roçam as suas peles crespas.
Se entreabertos
eles te trazem o universo
o cheiro
das entranhas do universo.
Ansioso, terno
as páginas penetras
cuidando serem virgens.
E elas
em sua calma complacência
uma vez mais
te acolhem.
(do livro Poemas, Niterói: Parthenon, 2005)
http://www.parthenon.art.br/
A noite é silenciosa.
Um gesto
a quebraria em mil pedaços.
Talvez um grito
Não a estilhaçasse tal um gesto.
É hora de ficar parado
sentado imovelmente na cadeira.
Vejo a noite em meu redor:
Desgasta a pedra, os campos,
meus cabelos, tudo quanto toco.
Não me esforçarei agora.
Sentado aqui nesta cadeira
ouvirei seu falar mudo e convincente:
ensina mais que os longes todos,
mais que os alfarrábios.
Mais,
muito mais.
Encontros
De minha estante
um a um
convoco mortos que ainda falam.
Outras vozes
há muito caladas
no vinil vão acordando.
Recostado na poltrona amiga
reverente
ergo o meu vinho:
o mesmo velho sol aquece a sala.
Fidelidade
(para um amante de livros)
Amoroso
pleno de prazer
visitas os teus velhos livros.
De dorso em dorso passeias
e relembras.
Teus longos dedos
trêmulos de pudor e de desejo
mal roçam as suas peles crespas.
Se entreabertos
eles te trazem o universo
o cheiro
das entranhas do universo.
Ansioso, terno
as páginas penetras
cuidando serem virgens.
E elas
em sua calma complacência
uma vez mais
te acolhem.
(do livro Poemas, Niterói: Parthenon, 2005)
http://www.parthenon.art.br/
segunda-feira, 12 de março de 2007
Para rememorar a Ilha

Um pequeno fragmento de Armadura, espada, cavalo e fé, de Cleber Teixeira, requintado poeta e admirável tipógrafo-editor da Noa Noa na linda ilha de Florianópolis, para aplacar um pouco a saudade do amigo e dos dias que lá passei, convivendo, ensinando e aprendendo na sua Oficina sobre a arte de fazer livros.
...............................
Agora, convém dar a
estes mortos tão vivos
o merecido sossego.
E mais direito ao sossego
tem o morto que decidiu
partir por conta própria.
E não cometerei a tolice
de dizer que os poetas
têm pressa de partir
porque carregam
nas costas as dores do mundo.
Muito pelo contrário,
as dores do mundo
é peso demais
mesmo para o melhor dos poetas.
Não foram poucas
as vezes que estive
perto de considerar a poesia
refúgio de fracos,
de homens inúteis
(que são lidos por
outros inúteis).
De homens que por
não saberem onde
fica a porta de entrada
e menos ainda a de saída
fazem do não saber
seu ofício e arte
de dolorosa feitura.
Continuo bem perto
de achar tudo isso,
mas não se pode
dizer que não dói
este eterno fazer e desfazer,
construir e desconstruir
que se impõem os poetas
quando perseguem
“a palavra essencial”,
a forma intocável
com o ostinato rigore.
.................................
Agora, convém dar a
estes mortos tão vivos
o merecido sossego.
E mais direito ao sossego
tem o morto que decidiu
partir por conta própria.
E não cometerei a tolice
de dizer que os poetas
têm pressa de partir
porque carregam
nas costas as dores do mundo.
Muito pelo contrário,
as dores do mundo
é peso demais
mesmo para o melhor dos poetas.
Não foram poucas
as vezes que estive
perto de considerar a poesia
refúgio de fracos,
de homens inúteis
(que são lidos por
outros inúteis).
De homens que por
não saberem onde
fica a porta de entrada
e menos ainda a de saída
fazem do não saber
seu ofício e arte
de dolorosa feitura.
Continuo bem perto
de achar tudo isso,
mas não se pode
dizer que não dói
este eterno fazer e desfazer,
construir e desconstruir
que se impõem os poetas
quando perseguem
“a palavra essencial”,
a forma intocável
com o ostinato rigore.
.................................
sábado, 10 de março de 2007
Tributo a Miguel Coelho, de P. R. Cecchetti
Lá vai o mago Miguel
pelas ladeiras do arco-íris.
Parte brincando
feito menino
lambuzando-se de cores
e risos.
Levando com ele,
nesse tempo telas, querubins.
Nas paredes da sala
Madonas ensoam cânticos
que renascem em acordes
inseparáveis
dos amigos que tocam
na Jazz Band Salina.
Saudades...
Recordo sempre Miguel,
magro e meigo,
com suas histórias mineiras
de Matipó.
No pincel sobre a palheta
multifacetada de cores
há quadro por terminar...
(10.03.2007)
pelas ladeiras do arco-íris.
Parte brincando
feito menino
lambuzando-se de cores
e risos.
Levando com ele,
nesse tempo telas, querubins.
Nas paredes da sala
Madonas ensoam cânticos
que renascem em acordes
inseparáveis
dos amigos que tocam
na Jazz Band Salina.
Saudades...
Recordo sempre Miguel,
magro e meigo,
com suas histórias mineiras
de Matipó.
No pincel sobre a palheta
multifacetada de cores
há quadro por terminar...
(10.03.2007)
sexta-feira, 9 de março de 2007
Lição, de Geir Campos
Sai desse livro, meu filho, e dá um pulo cá fora:
olha esta rua
onde a boiada não passa
nem passa boi
mas moreninha do cabelo cacheado
passa e passa moreno e passa preta
e passa preto e passa branca e passa branco
numa lição de cores brasileira
humanizando o azul da tarde franca.
Agora vai naquele muro e caligrafa este exercício:
"Abaixo o Homem Sanguessuga do Homem!"
Depois, querendo, volta a ler teu livro.
olha esta rua
onde a boiada não passa
nem passa boi
mas moreninha do cabelo cacheado
passa e passa moreno e passa preta
e passa preto e passa branca e passa branco
numa lição de cores brasileira
humanizando o azul da tarde franca.
Agora vai naquele muro e caligrafa este exercício:
"Abaixo o Homem Sanguessuga do Homem!"
Depois, querendo, volta a ler teu livro.
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