A Prefeitura do Rio de Janeiro anunciou hoje que a partir da próxima semana, 29.763 professores lotados na Secretaria Municipal de Educação receberão um vale especial, no valor unitário de R$ 50, para a compra de livros do seu interesse. Para facilitar, o vale-livro será entregue no local onde o beneficiário estiver lotado, podendo ser nas escolas, Coordenadorias Regionais de Educação ou na sede da Secretaria, no Centro Administrativo. A distribuição do vale será feita por CPF, de modo a não haver duplicidade na concessão do benefício.
Fonte: http://www.rio.rj.gov.br/
Sem dúvida, é uma ótima notícia. É ainda muito pouco diante do que se poderia fazer em favor da atualização dos professores e do desenvolvimento da indústria editorial e das práticas de leitura com ações como esta de financiamento direto ao (presumido) interessado. Não se pode exigir que um professor com o salário que percebe possa comprar livros... embora haja quem o faça, sim.
É pouco, inclusive, porque esse vale é para ser gasto em até 180 dias, quando se supõe que um professor tenha que comprar ao menos um livro por mês da sua área de atuação. Mas é um começo. Quem sabe as outras Prefeituras e, especialmente, o Ministério da Educação não percebe o quanto poderia fazer em favor do ensino, do livro, da leitura e do professor, de todos os níveis, fazendo o mesmo, só que com um vale mensal?
Os índices de leitura no Brasil são dos mais baixos do mundo e continuaremos com indicadores vergonhosos em quase tudo na área educacional (há as honrosas exceções sempre) quando comparados com outros países da América Latina - não falemos dos chamados países desenvolvidos - enquanto não houver políticas concretas em favor do livro, da leitura e das bibliotecas. E também do desenvolvimento da educação, em geral. Enquanto continuarmos com os mais baixos índices de alunos que completam um curso superior, daqueles que entram na escola, comparados com outros países vizinhos, não dá pra ter muita esperança.
Para isso a prioridade do governo teria que mudar, obviamente: ao invés do (chamado pelos banqueiros e especuladores, de dentro e de fora do governo) "superavit primário" (para que sobre muuuuuuito dinheiro para eles, sob diversos disfarces, e a salvo da chamada "responsabilidade fiscal") a prioridade deverá ser o desenvolvimento social, educacional e científico brasileiro. Aí teríamos também o desenvolvimento econômico que tanta falta faz ao país, inclusive, para atender aos milhares de jovens que chegam a cada ano ao mercado de trabalho e não encontram emprego.
Só assim poderemos sair de onde estamos - uma ilha cada vez menor de muito ricos, uma classe média que se empobrece, extremamente onerada pela política fiscal às avessas, que penaliza os salários, praticada pelo Estado brasileiro, e uma planície imensa de pobreza, fome, miséria e marginalidade. Sem futuro.
E viva o povo brasileiro que resiste das formas que pode e com a criatividade que tem a essa catástrofe social que vem sofrendo há décadas e continua a sofrer, hoje.
Parabéns, prefeito!
Para quem chegou até aqui na leitura, é necessário dizer que o dito acima é uma simplificação de algo muito complexo. Mas há coisas que se devem dizer no essencial, ou não se conseguem dizer.
E você, rara leitora ou leitor, o que acha? Faça o seu comentário.
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sexta-feira, 13 de abril de 2007
quinta-feira, 12 de abril de 2007
50 anos da Helvética
Abaixo nota e links sobre o aniversário do famoso alfabeto. É coisa de typo-people, mas talvez interesse pro teu blog. Tem foto de componedor bonita, que aparece com melhor qualidade no link do Washington Post.
Dicas de Lia Monica Rossi, de Londres, expert em artes visuais e gráficas e amiga do blog.
Conheça: http://www.art-deco-sertanejo.com/
HELVÉTICA
The fiftieth anniversary of the introduction of the Helvetica typefaceis being marked by a special exhibition at the Museum of Modern Art in New York
http://www.moma.org/exhibitions/2007/Helvetica.html
The importance and impact of Helvetica is discussed in a news articlein the Washington Post on 7th April 2007 under the headline "Oh Yeah,You Know the Type"(free registration required)
http://www.washingtonpost.com/wp-dyn/content/article/2007/04/06/AR2007040601986.html
Dicas de Lia Monica Rossi, de Londres, expert em artes visuais e gráficas e amiga do blog.
Conheça: http://www.art-deco-sertanejo.com/
HELVÉTICA
The fiftieth anniversary of the introduction of the Helvetica typefaceis being marked by a special exhibition at the Museum of Modern Art in New York
http://www.moma.org/exhibitions/2007/Helvetica.html
The importance and impact of Helvetica is discussed in a news articlein the Washington Post on 7th April 2007 under the headline "Oh Yeah,You Know the Type"(free registration required)
http://www.washingtonpost.com/wp-dyn/content/article/2007/04/06/AR2007040601986.html
terça-feira, 10 de abril de 2007
Debate: O mundo dos livros na São Paulo do século XIX
Debate no Cedem/Unesp:
O Mundo dos Livros na São Paulo do Século XIX: Instituições e Práticas
O projeto de uma história da circulação de livros, de suas instituições e das práticas de leituras identificadas na cidade de São Paulo, ao longo do século XIX, é fruto de uma conjuntura. Diante de novas tecnologias que parecem ter atingido os circuitos de comunicação impressa, até que ponto o livro atua como força transformadora em nossa sociedade? Ele já teve um dia esse papel?
Expositora: Marisa Midori Deaecto (doutora em História – USP, pesquisadora e autora do livro: Comércio e Vida Urbana na Cidade de São Paulo – 1889/1930. Editora Senac - 2002)
Debatedores:
Tânia Regina de Luca (doutora em História Social – USP, professora do deptº de História da UNESP - Campus de Assis/SP e assessora da Pró-Reitoria de Pesquisa/Reitoria da UNESP - S.Paulo/SP)
Antonio Celso Ferreira (doutor em História Social – USP, professor e diretor da UNESP/Campus de Assis-SP)
Moderador: Paulo Cunha (doutor em Ciências Sociais – UNICAMP e professor de Teoria Política na UNESP – Campus de Marília/SP).
Inscrições pelo e-mail: ssantos@cedem.unesp.br
Data: 17 de abril de 2007 (3ª feira) Horário: 18h – Entrada GratuitaLocal: CEDEM/UNESP - Centro de Documentação e MemóriaPraça da Sé, 108 - 1º andar (esquina c/ r.Benjamin Constant) (11) 3105 – 9903 - www.cedem.unesp.br
Apoio: Instituto Astrojildo Pereira - www.institutoastrojildopereira.org.br
Quem puder estar presente não deve perder - por nada!
O Mundo dos Livros na São Paulo do Século XIX: Instituições e Práticas
O projeto de uma história da circulação de livros, de suas instituições e das práticas de leituras identificadas na cidade de São Paulo, ao longo do século XIX, é fruto de uma conjuntura. Diante de novas tecnologias que parecem ter atingido os circuitos de comunicação impressa, até que ponto o livro atua como força transformadora em nossa sociedade? Ele já teve um dia esse papel?
Expositora: Marisa Midori Deaecto (doutora em História – USP, pesquisadora e autora do livro: Comércio e Vida Urbana na Cidade de São Paulo – 1889/1930. Editora Senac - 2002)
Debatedores:
Tânia Regina de Luca (doutora em História Social – USP, professora do deptº de História da UNESP - Campus de Assis/SP e assessora da Pró-Reitoria de Pesquisa/Reitoria da UNESP - S.Paulo/SP)
Antonio Celso Ferreira (doutor em História Social – USP, professor e diretor da UNESP/Campus de Assis-SP)
Moderador: Paulo Cunha (doutor em Ciências Sociais – UNICAMP e professor de Teoria Política na UNESP – Campus de Marília/SP).
Inscrições pelo e-mail: ssantos@cedem.unesp.br
Data: 17 de abril de 2007 (3ª feira) Horário: 18h – Entrada GratuitaLocal: CEDEM/UNESP - Centro de Documentação e MemóriaPraça da Sé, 108 - 1º andar (esquina c/ r.Benjamin Constant) (11) 3105 – 9903 - www.cedem.unesp.br
Apoio: Instituto Astrojildo Pereira - www.institutoastrojildopereira.org.br
Quem puder estar presente não deve perder - por nada!
segunda-feira, 2 de abril de 2007
2 de abril - Dia Internacional do Livro Infantil

Querido Francesco, era uma vez um menino loiro, que brincava com o seu pai num grande parque, e havia muitos animais, e uma joaninha que, voando, pousou na sua mão, e o menino compreendeu, sem dar-se conta, que aquela joaninha queria uma história; e quem devia inventar a história era ele, pois a joaninha não tinha uma história dela. E o menino começou a contar uma história na qual a joaninha era um pequeno bicho que vivia nos livros, escondia entre as páginas, e sabia fazer mágica, sabia mudar a ordem das letras impressas, voando de uma página para outra, de forma que cada vez que você pegasse o livro pudesse ler uma história diferente, não muito diferente, no entanto, só um pouquinho. Pois lá bem no fundo, Francesco, as histórias não são tão diferentes assim, umas das outras, só um pouquinho, como a sua história da joaninha, como a deste livro, que mudará toda vez que você voltar a lê-lo, talvez só um pouquinho, para que você possa descobrir coisas sempre novas. Porque é assim que os livros são, pequeno Francesco, não precisam do mundo, é o mundo que precisa deles. Lembre as palavras do venerável Borges: todas las cosas del mundo llevan a uma cita o a un libro...
Epílogo do livro Se uma criança, numa manhã de verão... Carta para meu filho sobre o amor pelos livros, de Roberto Cotroneo, trad. de Mário Fondelli, Rio de Janeiro: Rocco, 2004.
*
O dia 2 de abril, data de nascimento do escritor dinamarquês Hans Christien Andersen, é pouco comemorado no Brasil - talvez por ser 18 de abril - dia de nascimento de Monteiro Lobato - o Dia Nacional do Livro Infantil - mas não só.
Epílogo do livro Se uma criança, numa manhã de verão... Carta para meu filho sobre o amor pelos livros, de Roberto Cotroneo, trad. de Mário Fondelli, Rio de Janeiro: Rocco, 2004.
*
O dia 2 de abril, data de nascimento do escritor dinamarquês Hans Christien Andersen, é pouco comemorado no Brasil - talvez por ser 18 de abril - dia de nascimento de Monteiro Lobato - o Dia Nacional do Livro Infantil - mas não só.
A data me trouxe à lembrança a leitura do livro do crítico italiano Roberto Cotroneo que Lizete descobriu e me emprestou. Apesar de não gostar da capa, a referência no título ao livro de Italo Calvino, já citado aqui no blog, tornou-o simpático para mim. A leitura foi agradável e muito proveitosa.
Cotrôneo, citando também Rainer Maria Rilke, em sua Carta a um jovem poeta, escreve uma carta a seu filho Francesco, na qual, através das referências que faz à leitura de certas obras consagradas, como A ilha do tesouro, de Robert Stevenson, O apanhador no campo de centeio, de J. D. Salinger, ao poema de T. S. Eliot, A terra devastada, e a outras, indica-nos como a literatura pode ser uma forma de aprendizado para a vida, através da experiência de personagens "reais", com quem podemos conviver nas obras de ficção e na poesia.
Você, raro leitor ou leitora, já o leu? Tem algo a contar?
Cotrôneo, citando também Rainer Maria Rilke, em sua Carta a um jovem poeta, escreve uma carta a seu filho Francesco, na qual, através das referências que faz à leitura de certas obras consagradas, como A ilha do tesouro, de Robert Stevenson, O apanhador no campo de centeio, de J. D. Salinger, ao poema de T. S. Eliot, A terra devastada, e a outras, indica-nos como a literatura pode ser uma forma de aprendizado para a vida, através da experiência de personagens "reais", com quem podemos conviver nas obras de ficção e na poesia.
Você, raro leitor ou leitora, já o leu? Tem algo a contar?
PS: A ilustração acima é a reprodução da capa da obra do italiano C. Collodi, Pinóquio, um dos livros infantis de maior sucesso no mundo, certamente em sua primeira edição integral em português, com tradução de Mary Baxter Lee, editada lindamente pela Francisco Alves e que é uma das raridades do acervo do LIHED/UFF, em breve acessível a pesquisadores na sala 5F da Biblioteca Central do Gragoatá, da Universidade Federal Fluminense – UFF, em Niterói, Rio de Janeiro.
sexta-feira, 30 de março de 2007
Pesquisa americana sobre leitura de notícias na rede e em jornal impresso
Na web, usuários lêem mais as notícias que interessam. Leitores preferem informações em formatos diferentes. Pessoas que usam a internet para ler notícias prestam mais atenção ao que estão lendo do que leitores de jornais impressos, afirma um estudo norte-americano que refuta a idéia de que internautas não lêem muito.
Leia a matéria sobre a pesquisa no endereço acima. Embora não conclusivos, os resultados devem ser conhecidos e levados em conta; podem significar uma tendência de maior interesse do
leitor pela interatividade com o texto digital.
http://g1.globo.com/Noticias/Tecnologia/0,,AA1505412-6174,00.html
Leia a matéria sobre a pesquisa no endereço acima. Embora não conclusivos, os resultados devem ser conhecidos e levados em conta; podem significar uma tendência de maior interesse do
leitor pela interatividade com o texto digital.
http://g1.globo.com/Noticias/Tecnologia/0,,AA1505412-6174,00.html
Lia Mônica, de Londres, continua sucesso aqui também

A "nossa" Lia Mônica Rossi está em Londres atualmente. Mas, como sombra!, está também na capa da revista (belíssima) TUPIGRAFIA 7, que será lançada amanhã, 31 de março, em São Paulo. Parabéns a todos. O número está ótimo.
Acesse o convite: http://www.tupigrafia.com.br/ e vá, se puder. Para quem mora perto é imperdível. Para quem é da área de design gráfico vale também acessar algumas imagens da revista em http://www.flickr.com/photos/tupigrafia para se animar a fazer a coleção.
E para quem está com saudades (como eu) da Lia Mônica e do José Marconi visite o sítio deles:
http://www.art-deco-sertanejo.com/ . O máximo!
Acesse o convite: http://www.tupigrafia.com.br/ e vá, se puder. Para quem mora perto é imperdível. Para quem é da área de design gráfico vale também acessar algumas imagens da revista em http://www.flickr.com/photos/tupigrafia para se animar a fazer a coleção.
E para quem está com saudades (como eu) da Lia Mônica e do José Marconi visite o sítio deles:
http://www.art-deco-sertanejo.com/ . O máximo!
quinta-feira, 29 de março de 2007
Exposição de haicais ilustrados

No Centro Cultural Paschoal Carlos Magno (Campo de São Bento - Icaraí - Niterói - RJ), de 4 a 15 de abril de 2007, acontecerá a exposição Haicais Ilustrados, reunindo os haicaístas Douglas Brotto, Gilda Uzeda, Leda Mendes Jorge, Lena Jesus Ponte, Luís Antônio Pimentel, Paulo Roberto Cecchetti e Wanderlino Teixeira Leite Netto e os ilustradores Alcione Marques, Aldo de Paula Fonseca, David Queiroz, Florentino, Gilda Uzeda, Miguel Coelho e Raquel Ponte.
O vernissage, no dia 4, às 19 horas, será dedicado à memória do artista plástico Miguel Coelho, recentemente falecido.
É para não perder.
Imagem: reprodução de "A bailarina", óleo de Miguel Coelho.
quarta-feira, 28 de março de 2007
Lembrete aos pesquisadores da área da cultura letrada
Prepare seu texto para nosso encontro no XXX Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação - na reunião do Núcleo de Pesquisa Produção Editorial - , em Santos (SP), e esteja atento aos prazos para enviar sua proposta, com texto completo:
Abertura: 10 de abril – Encerramento: 23 de maio
Mais informações: http://www.intercom.org.br/congresso/2007/chamada.shtml
Abertura: 10 de abril – Encerramento: 23 de maio
Mais informações: http://www.intercom.org.br/congresso/2007/chamada.shtml
domingo, 25 de março de 2007
A história de uma editora pioneira em quadrinhos no Brasil

Recebo e transmito com satisfação a notícia que recebi de Paulo Adolfo Aizen, filho do fundador da EBAL, Adolfo Aizen:
"A longa trajetória da EBAL (Editora Brasil-América) vai ser relatada num livro, prestes a ser lançado. EBAL: fábrica de quadrinhos vai mostrar detalhes das seis décadas de vida da empresa. Fundada em 1945, foi uma das principais editoras de quadrinhos do país. (...)
O livro terá 120 páginas e vai trazer referências a mais de 10.100 revistas e 1.700 livros infantis. 'Eu coloquei todas as publicações da EBAL', diz o autor da obra, Ezequiel Ferreira Azevedo. O pesquisador comenta que era uma curiosidade que sempre teve: saber tudo o que a editora lançou."
O livro terá 120 páginas e vai trazer referências a mais de 10.100 revistas e 1.700 livros infantis. 'Eu coloquei todas as publicações da EBAL', diz o autor da obra, Ezequiel Ferreira Azevedo. O pesquisador comenta que era uma curiosidade que sempre teve: saber tudo o que a editora lançou."
A notícia foi veiculada inicialmente por Paulo Ramos, responsável pelo "blog dos quadrinhos", que aproveitamos para recomendar: http://blogdosquadrinhos.blog.uol.com.br/
Caro Paulo Adolfo, ficamos aguardando a notícia do lançamento. O livro será certamente uma boa contribuição à história editorial no Brasil. A EBAL e a família Aizen merecem.
sexta-feira, 23 de março de 2007
Luís Antônio Pimentel, 95 anos
O escritor Luís Antônio Pimentel, uma personalidade marcante e querida da cultura niteroiense será homenageado no próximo dia 29 de março, quinta-feira, quando completará o 95º aniversário, com um almoço na Praça Getúlio Vargas, em Icaraí.
A iniciativa é de Paulo Roberto Cecchetti e conta com apoio dos órgãos culturais da Prefeitura e das entidades representativas da cultura letrada tradicional da cidade.
O carinhosamente chamado "velho Pimenta" é um notável jornalista que freqüenta até hoje a redação diariamente e mantém a seção Artes Fluminenses no jornal A Tribuna, reproduzida também no Jornal de Icaraí, que é uma expressão do que ocorre na vida literária da cidade.
Sua trajetória de jornalista, poeta, historiador, folclorista, prosador, fotógrafo e "enciclopédia viva" é um exemplo de dignidade, coerência e generosidade.
A obra literária está disponível, em sua maior parte, na edição Obras reunidas de Luís Antônio Pimentel, em 3 volumes, organizada pelo neoblogueiro que lhes escreve, editada pela Niterói Livros em 2004.
Vol. 1 - Enciclopédia de Niterói;
Vol. 2 - Contos do velho Nipon - 12 dias com Leviana - Tankas e haicais;
Vol. 3 - Crônicas do rádio nos tempos áureos da Mayrink Veiga.
http://www.culturaniteroi.com.br
E-mail: livros@culturaniteroi.com.br
Telefone: 55-21-2621-5050
A iniciativa é de Paulo Roberto Cecchetti e conta com apoio dos órgãos culturais da Prefeitura e das entidades representativas da cultura letrada tradicional da cidade.
O carinhosamente chamado "velho Pimenta" é um notável jornalista que freqüenta até hoje a redação diariamente e mantém a seção Artes Fluminenses no jornal A Tribuna, reproduzida também no Jornal de Icaraí, que é uma expressão do que ocorre na vida literária da cidade.
Sua trajetória de jornalista, poeta, historiador, folclorista, prosador, fotógrafo e "enciclopédia viva" é um exemplo de dignidade, coerência e generosidade.
A obra literária está disponível, em sua maior parte, na edição Obras reunidas de Luís Antônio Pimentel, em 3 volumes, organizada pelo neoblogueiro que lhes escreve, editada pela Niterói Livros em 2004.
Vol. 1 - Enciclopédia de Niterói;
Vol. 2 - Contos do velho Nipon - 12 dias com Leviana - Tankas e haicais;
Vol. 3 - Crônicas do rádio nos tempos áureos da Mayrink Veiga.
http://www.culturaniteroi.com.br
E-mail: livros@culturaniteroi.com.br
Telefone: 55-21-2621-5050
A foto é de José Chacon de Assis (recorte).
terça-feira, 20 de março de 2007
Perdemos um amigo e um notável bibliófilo
O médico-cirurgião Miguel Freitas Pereira, nascido em 29 de setembro de 1923, em Campos (RJ), formado pela Faculdade Fluminense de Medicina (1948), alcançou prestígio e reconhecimento na sua área profissional. Entretanto, podemos arriscar que grande parte de sua longa vida dedicou a ler e a formar a bela biblioteca pessoal, estimada em mais de 30 mil volumes. Era conhecido como um requintado colecionador de livros, com foco especial em obras de história da medicina, área que estudou profundamente. Mas seus interesses eram múltiplos. Lia os clássicos da literatura, no original, em várias línguas, incluindo o latim. E conhecia bem o grego clássico.
Quando conheci sua biblioteca fiquei impressionado não só com a riqueza de seu acervo mas com tantos cadernos manuscritos do que me pareceu serem rascunhos para um original de história da medicina ou da cirurgia. Uma obra sem fim de um leitor impenitente. Terá algum amigo ou discípulo para organizar e publicar suas notas, certamente ricas e preciosas?
Devo-lhe, além de reiterados gestos de atenção e gentileza, a indicação e a cópia de uma página de Pedro Nava sobre “Livros velhos de medicina”, publicada originalmente em 1947, no livro Território de Epidauro, que (ao que sei) só ele tinha – recentemente a Ateliê o reeditou –, da qual aproveitei em uma epígrafe de Livraria Ideal, do cordel à bibliofilia, 1999, um trecho: “O livro imundo, empoeirado, rasgado, fosco, desconjuntado, fervilhando de bichos e que vai ser espanado página por página, ungido em cada ferida, esticado, passado a ferro, restaurado, reabilitado, - e, finalmente, reintegrado na vida das estantes vivas!”.
Miguel Freitas Pereira creio que só publicou um livro, de poesia, em parceria com outro médico poeta, Carlos Cesar Soares, Duas faces do prisma, editado pelo Grupo Mônaco, de Niterói, em 1975.
Quando conheci sua biblioteca fiquei impressionado não só com a riqueza de seu acervo mas com tantos cadernos manuscritos do que me pareceu serem rascunhos para um original de história da medicina ou da cirurgia. Uma obra sem fim de um leitor impenitente. Terá algum amigo ou discípulo para organizar e publicar suas notas, certamente ricas e preciosas?
Devo-lhe, além de reiterados gestos de atenção e gentileza, a indicação e a cópia de uma página de Pedro Nava sobre “Livros velhos de medicina”, publicada originalmente em 1947, no livro Território de Epidauro, que (ao que sei) só ele tinha – recentemente a Ateliê o reeditou –, da qual aproveitei em uma epígrafe de Livraria Ideal, do cordel à bibliofilia, 1999, um trecho: “O livro imundo, empoeirado, rasgado, fosco, desconjuntado, fervilhando de bichos e que vai ser espanado página por página, ungido em cada ferida, esticado, passado a ferro, restaurado, reabilitado, - e, finalmente, reintegrado na vida das estantes vivas!”.
Miguel Freitas Pereira creio que só publicou um livro, de poesia, em parceria com outro médico poeta, Carlos Cesar Soares, Duas faces do prisma, editado pelo Grupo Mônaco, de Niterói, em 1975.
Qual o será o destino de seus livros? Sua biblioteca é talvez o melhor espelho da vida de Miguel Freitas Pereira, o querido Dr. Miguel, conhecido de todos os sebistas do Rio de Janeiro e fraternal amigo de Carlos Mônaco, o maior de Niterói.
segunda-feira, 12 de março de 2007
Israel Pedrosa lançará novo livro

Israel Pedrosa, o consagrado pintor de O Brasil em Cartas de Tarô, autor do clássico Da cor à cor inexistente, lançará pelo mesmo editor, Léo Christiano, o livro Na contramão dos preconceitos estéticos da era dos extremos, uma reunião de artigos e ensaios sobre Portinari, Siqueiros, Quirino e Hilda Campofiorito, Sigaud, Newton Rezende, Geir Campos e Monteiro Lobato, dentre outros.
O lançamento está programado para acontecer no Museu Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro, dia 16 de maio próximo, às 16h, com palestra do autor.
Completando 81 anos no próximo dia 18 de abril, Israel Pedrosa continua em plena atividade criadora, preparando outro livro Dez aulas magistrais, para o qual vem produzindo réplicas de obras dos artistas que elegeu como os grandes mestres: Da Vinci, Hieronymus Bosch, Turner, Klee, Cézanne, Van Gogh, Vermeer, Portinari, Siqueiros e Pollock. Algumas pistas desse grande projeto já podem ser conhecidas no livro anterior de Pedrosa, O universo da cor, lançado em 2003, pela Editora Senac Nacional.
Um acontecimento cultural e artístico a não perder.
sexta-feira, 9 de março de 2007
A um amigo querido, Miguel Coelho
Acabo de saber, pelo telefonema da Leda, que você partiu, agora de manhã. Sua vida deixa um rastro de luz, de generosidade, de decência, de serviços prestados às causas da arte, da fraternidade e da justiça, vividas a partir de seu cotidiano em nossa amada Niterói. Vá em paz, querido Miguel, e vá com a consciência plena de dever cumprido.
Do folder/catálogo da Exposição Miguel Coelho: 50 anos de pintura, promovida pela Prefeitura de Niterói, com curadoria de Paulo Roberto Cecchetti, no Centro Cultural Paschoal Carlos Magno, no Campo de S. Bento, em Niterói, de 2 a 27 de agosto de 2006:
50 anos de múltiplas artes
Aníbal Bragança
Miguel Coelho já era artista completo – sua primeira exposição no Museu Antônio Parreiras é de 1956 (daí o cinqüentenário, óbvio) – quando se inaugurou, dez anos depois, ali perto do Museu, a Livraria Encontro (logo depois transformada em “Diálogo”).
A criação, então recente, da nossa Universidade, na qual Miguel Coelho viria a trabalhar, abrira um novo horizonte na cidade, inclusive para o sucesso de sua primeira livraria “moderna”, com os últimos lançamentos e livros importados, e pretensões a ser, desde o começo, um centro cultural ativo e “progressista”.
Miguel Coelho fez uma de suas primeiras exposições individuais na Encontro. Passou a freqüentá-la e a ser, sem querer, um mentor para os estudantes livreiros. Discreto sempre, mas um observador atento a tudo. Alegre, impressionava pela simplicidade e pelos seus talentos, inclusive o de contador de histórias, às vezes, mordaz.
Amigo de César de Araújo e Gastão Neves, era também ótimo poeta, sendo premiado no Concurso Nacional de Poesia Falada, evento promovido com muito sucesso na cidade, em 1968 e 1969. Alguns dos poemas de Miguel Coelho estão publicados na Antologia poética do Grupo Salina, organizada por César de Araújo, em l969, e na Antologia Água Escondida, editada por Neyde Barros Rego, em 1994.
Poucos conhecem os seus contos, que há muito deveriam estar em volume a circular nas livrarias do país e lidos pelos que apreciam a boa literatura brasileira. Miguel foi o vencedor do Concurso de Contos LIG/Pasárgada, em 1977, com o conto Bolo de aniversário, e também do Concurso Literário Stanislaw Ponte Preta, promovido pela Rio-Arte, da Prefeitura do Rio de Janeiro, em l995, com o conto “Olocotorp”.
Certamente a cultura de Niterói seria menos rica sem o trio que Miguel Coelho compunha com Luís Antônio Pimentel e Alaor Eduardo Scisínio, até este tristemente nos deixar. Esse trio agora se forma com Paulo Roberto Cechetti.
Uma das marcas impressas por Miguel Coelho na nossa vida literária está nas capas e ilustrações de inúmeros livros editados em Niterói e fora daqui, além dos belos álbuns que criou com seus bicos-de-pena, reproduzindo com fidelidade fortes, igrejas e fazendas fluminenses para a preservação de nossa memória patrimonial.
Miguel é também compositor premiado. Medalha de Ouro do II Festival Fluminense da Canção Popular, em 1968, e troféu de melhor samba-enredo de Niterói, em 1972, com o samba Jorge Amado pede passagem, feito em parceria com Adalu Pimentel. Sua música, com Chico Aguiar, Aleluia/aleluinha para cinco cavaleiros, foi finalista no V Festival Internacional da Canção (V FIC), em 1970, promovido pela TV Globo, além de ter sido a grande vencedora no IV Festival Fluminense da Canção Popular, no mesmo ano.
Quando se fizer a história cultural de nossa cidade, da segunda metade do século XX até hoje, Miguel Coelho necessariamente será um de seus personagens mais destacados, e não apenas como o grande artista plástico que é.
Feliz, assim, deve sentir-se a cidade-sorriso neste cinqüentenário artístico de Miguel Coelho, o mineiro de Matipó que se tornou um niteroiense que engrandece a cultura brasileira.
Do folder/catálogo da Exposição Miguel Coelho: 50 anos de pintura, promovida pela Prefeitura de Niterói, com curadoria de Paulo Roberto Cecchetti, no Centro Cultural Paschoal Carlos Magno, no Campo de S. Bento, em Niterói, de 2 a 27 de agosto de 2006:
50 anos de múltiplas artes
Aníbal Bragança
Miguel Coelho já era artista completo – sua primeira exposição no Museu Antônio Parreiras é de 1956 (daí o cinqüentenário, óbvio) – quando se inaugurou, dez anos depois, ali perto do Museu, a Livraria Encontro (logo depois transformada em “Diálogo”).
A criação, então recente, da nossa Universidade, na qual Miguel Coelho viria a trabalhar, abrira um novo horizonte na cidade, inclusive para o sucesso de sua primeira livraria “moderna”, com os últimos lançamentos e livros importados, e pretensões a ser, desde o começo, um centro cultural ativo e “progressista”.
Miguel Coelho fez uma de suas primeiras exposições individuais na Encontro. Passou a freqüentá-la e a ser, sem querer, um mentor para os estudantes livreiros. Discreto sempre, mas um observador atento a tudo. Alegre, impressionava pela simplicidade e pelos seus talentos, inclusive o de contador de histórias, às vezes, mordaz.
Amigo de César de Araújo e Gastão Neves, era também ótimo poeta, sendo premiado no Concurso Nacional de Poesia Falada, evento promovido com muito sucesso na cidade, em 1968 e 1969. Alguns dos poemas de Miguel Coelho estão publicados na Antologia poética do Grupo Salina, organizada por César de Araújo, em l969, e na Antologia Água Escondida, editada por Neyde Barros Rego, em 1994.
Poucos conhecem os seus contos, que há muito deveriam estar em volume a circular nas livrarias do país e lidos pelos que apreciam a boa literatura brasileira. Miguel foi o vencedor do Concurso de Contos LIG/Pasárgada, em 1977, com o conto Bolo de aniversário, e também do Concurso Literário Stanislaw Ponte Preta, promovido pela Rio-Arte, da Prefeitura do Rio de Janeiro, em l995, com o conto “Olocotorp”.
Certamente a cultura de Niterói seria menos rica sem o trio que Miguel Coelho compunha com Luís Antônio Pimentel e Alaor Eduardo Scisínio, até este tristemente nos deixar. Esse trio agora se forma com Paulo Roberto Cechetti.
Uma das marcas impressas por Miguel Coelho na nossa vida literária está nas capas e ilustrações de inúmeros livros editados em Niterói e fora daqui, além dos belos álbuns que criou com seus bicos-de-pena, reproduzindo com fidelidade fortes, igrejas e fazendas fluminenses para a preservação de nossa memória patrimonial.
Miguel é também compositor premiado. Medalha de Ouro do II Festival Fluminense da Canção Popular, em 1968, e troféu de melhor samba-enredo de Niterói, em 1972, com o samba Jorge Amado pede passagem, feito em parceria com Adalu Pimentel. Sua música, com Chico Aguiar, Aleluia/aleluinha para cinco cavaleiros, foi finalista no V Festival Internacional da Canção (V FIC), em 1970, promovido pela TV Globo, além de ter sido a grande vencedora no IV Festival Fluminense da Canção Popular, no mesmo ano.
Quando se fizer a história cultural de nossa cidade, da segunda metade do século XX até hoje, Miguel Coelho necessariamente será um de seus personagens mais destacados, e não apenas como o grande artista plástico que é.
Feliz, assim, deve sentir-se a cidade-sorriso neste cinqüentenário artístico de Miguel Coelho, o mineiro de Matipó que se tornou um niteroiense que engrandece a cultura brasileira.
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